O Seu Estilo de Vida Pode Aumentar o Risco de Alzheimer? Dr Lair Explica

A doença de Alzheimer é uma das condições neurológicas que mais preocupam a população à medida que aumenta a esperança média de vida. Mas será que o envelhecimento é a única explicação para o crescimento do número de casos? Ou existem outros fatores relacionados com o estilo de vida, alimentação, exposição a substâncias, sedentarismo e saúde metabólica que podem influenciar o funcionamento do cérebro?

Num dos seus discursos sobre saúde e envelhecimento, o Dr. Lair Ribeiro aborda precisamente esta questão e aponta vários fatores que, na sua perspetiva, podem estar relacionados com o aumento dos problemas cognitivos. Entre eles estão a alimentação inadequada, a exposição a toxinas, o sedentarismo, determinadas características genéticas e aquilo que designa como reações adversas aos alimentos.

Algumas destas ideias encontram respaldo na investigação científica, enquanto outras são interpretações ou afirmações que devem ser encaradas com cautela. É importante, por isso, distinguir entre fatores de risco reconhecidos pela ciência e hipóteses ou recomendações individuais.

Ainda assim, a mensagem central é relevante: cuidar do cérebro não deve começar apenas quando surgem problemas de memória. Alimentação equilibrada, exercício físico, sono adequado, controlo dos fatores de risco cardiovasculares e acompanhamento médico podem desempenhar um papel importante na manutenção da saúde cerebral.

Porque é que a doença de Alzheimer está a aumentar?

Uma das primeiras questões levantadas pelo Dr. Lair Ribeiro é precisamente a razão pela qual se fala cada vez mais em Alzheimer.

Existem várias explicações possíveis para o aumento do número de pessoas diagnosticadas. Uma das mais importantes é o envelhecimento da população. Como vivemos mais anos, existe naturalmente um maior número de pessoas a atingir idades em que as doenças neurodegenerativas são mais frequentes.

No entanto, a investigação científica também tem identificado vários fatores modificáveis associados ao risco de demência.

Entre eles encontram-se a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, colesterol elevado, tabagismo, inatividade física, consumo excessivo de álcool, depressão, isolamento social, perda auditiva e determinados fatores relacionados com a alimentação e a saúde cardiovascular.

É aqui que entra uma das ideias centrais do discurso: aquilo que fazemos diariamente pode ter impacto na saúde do cérebro.

1. A alimentação pode influenciar a saúde cerebral

O cérebro necessita de energia e nutrientes para funcionar corretamente. Apesar de representar apenas uma pequena parte do peso corporal, consome uma quantidade significativa da energia do organismo.

Por isso, uma alimentação baseada predominantemente em alimentos ultraprocessados, rica em açúcares adicionados, sal e gorduras pouco saudáveis, e pobre em vegetais, fruta, leguminosas e outros alimentos nutritivos, não é uma boa estratégia para a saúde em geral.

É importante, contudo, evitar uma simplificação: não existe um único alimento responsável pelo aparecimento da doença de Alzheimer.

O padrão alimentar global é muito mais importante do que demonizar um ingrediente isolado.

Dietas caracterizadas por uma elevada presença de vegetais, fruta, frutos secos, leguminosas, cereais integrais, peixe e azeite têm sido associadas a melhores indicadores de saúde cardiovascular e, em alguns estudos, a menor risco de declínio cognitivo.

Uma alimentação saudável também ajuda a controlar fatores que afetam indiretamente o cérebro, como a pressão arterial, o peso corporal e o metabolismo da glicose.

2. Sedentarismo: um inimigo do cérebro

Outro fator destacado no conteúdo é o sedentarismo.

A prática de exercício físico não serve apenas para fortalecer músculos ou controlar o peso. A atividade física regular está associada a benefícios cardiovasculares e metabólicos e pode contribuir para a manutenção da função cerebral.

Quando fazemos exercício, aumentamos a circulação sanguínea e promovemos uma série de adaptações fisiológicas que beneficiam o organismo.

Além disso, pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar menor risco de vários problemas associados ao declínio cognitivo.

Isto não significa que fazer exercício seja uma garantia contra a doença de Alzheimer. Não é.

Significa que a atividade física é uma das medidas relativamente simples que podemos adotar para melhorar a saúde global e potencialmente reduzir alguns fatores de risco associados à demência.

Caminhar, andar de bicicleta, nadar, correr ou fazer treino de força são exemplos de atividades que podem ser integradas numa rotina, de acordo com a idade e condição física de cada pessoa.

3. A importância da genética e do gene APOE

Um dos pontos mais interessantes abordados no conteúdo é o papel da apolipoproteína E, conhecida como APOE.

Existem diferentes variantes do gene APOE, sendo as mais conhecidas APOE ε2, APOE ε3 e APOE ε4.

A variante APOE ε4 está associada a um aumento do risco de desenvolver doença de Alzheimer, particularmente quando uma pessoa possui duas cópias dessa variante.

Mas existe aqui uma distinção fundamental que muitas vezes é esquecida: ter APOE ε4 não significa que uma pessoa irá obrigatoriamente desenvolver Alzheimer.

Trata-se de um fator de risco genético, e não de uma sentença inevitável.

Da mesma forma, uma pessoa que não tenha esta variante não está automaticamente protegida contra a doença.

O desenvolvimento do Alzheimer é complexo e envolve uma combinação de fatores genéticos, idade, ambiente, saúde cardiovascular, estilo de vida e outros elementos biológicos.

Por isso, a ideia de que uma pessoa com APOE ε4 irá necessariamente desenvolver Alzheimer antes dos 55 anos é demasiado categórica e não deve ser apresentada como uma certeza médica.

Os testes genéticos também não devem ser realizados de forma indiscriminada apenas por curiosidade. A interpretação de resultados genéticos pode ser complexa e deve, quando apropriado, envolver profissionais de saúde.

4. Genética não é destino

O dr Lair apresenta também o conceito de epigenética.

De uma forma simplificada, a epigenética estuda alterações que influenciam a atividade dos genes sem alterar a sequência do ADN.

É como se o nosso material genético contivesse um enorme conjunto de instruções, mas diferentes mecanismos celulares determinassem quais dessas instruções são mais ou menos utilizadas.

O exemplo da lagarta, do casulo e da borboleta utilizado no conteúdo ajuda a perceber esta ideia: apesar de apresentarem formas completamente diferentes, pertencem ao mesmo organismo e possuem essencialmente o mesmo genoma. O que muda ao longo do desenvolvimento é a forma como os genes são regulados e expressos.

No contexto da saúde, a epigenética é uma área fascinante de investigação. Fatores ambientais e comportamentais podem influenciar mecanismos epigenéticos.

Contudo, também aqui é necessário evitar conclusões exageradas.

Não significa que todos os comportamentos de uma pessoa sejam automaticamente transmitidos aos filhos através da epigenética, nem que doenças complexas possam ser explicadas simplesmente por este mecanismo.

A investigação nesta área continua a evoluir.

5. O que são as reações adversas aos alimentos?

Outro dos temas abordados no discurso é a relação entre determinados alimentos e sintomas individuais.

Aqui é particularmente importante distinguir alergia alimentar, intolerância e outras formas de sensibilidade.

Uma alergia alimentar envolve uma resposta do sistema imunitário e pode, em determinados casos, provocar reações graves. A alergia ao camarão, por exemplo, pode causar sintomas que vão desde urticária até uma reação anafilática potencialmente fatal.

A intolerância à lactose é diferente. Neste caso, existe dificuldade em digerir a lactose, o açúcar naturalmente presente no leite, devido à produção insuficiente da enzima lactase.

Os sintomas podem incluir inchaço, gases, dor abdominal e diarreia.

Também existem outras condições relacionadas com alimentos que devem ser avaliadas individualmente. A doença celíaca, por exemplo, é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas e exige uma dieta sem glúten rigorosa.

Confundir estes conceitos pode levar a diagnósticos incorretos e a dietas desnecessariamente restritivas.

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6. Uma dor de cabeça pode estar relacionada com aquilo que come?

O dr. Lair Ribeiro aborda ainda uma situação mais difícil de identificar: sintomas que surgem várias horas ou até dias depois de determinado alimento ser consumido.

É aqui que entra a ideia de hipersensibilidade.

Imagine, por exemplo, uma pessoa que consome determinado alimento ao sábado e desenvolve uma dor de cabeça apenas alguns dias depois. É muito difícil estabelecer uma relação direta sem uma avaliação adequada, sobretudo porque podem existir dezenas de outros fatores envolvidos.

Sono, estresse, hidratação, alterações hormonais, atividade física, consumo de álcool, cafeína e outros alimentos podem influenciar dores de cabeça e enxaquecas.

Por isso, não é aconselhável concluir automaticamente que determinado alimento é responsável por um sintoma apenas porque existe uma coincidência temporal.

Quando existe suspeita de intolerância, alergia ou outra reação alimentar, pode ser útil procurar avaliação médica ou de um nutricionista. Em alguns casos, um diário alimentar pode ajudar a identificar padrões.

7. O intestino também merece atenção

O sistema digestivo aparece igualmente nesta discussão.

Alterações gastrointestinais podem afetar significativamente a qualidade de vida. Uma pessoa que sofre frequentemente de dores abdominais, diarreia, obstipação ou inchaço pode sentir-se cansada e com menor capacidade de concentração.

Existem também cada vez mais estudos sobre a chamada ligação intestino-cérebro, uma complexa comunicação entre o sistema gastrointestinal, o sistema nervoso, o sistema imunitário e a microbiota intestinal.

Isto não significa que todos os problemas cerebrais tenham origem no intestino.

Significa que a saúde digestiva e a saúde cerebral estão relacionadas através de mecanismos biológicos complexos que continuam a ser estudados.

Uma alimentação equilibrada, rica em fibra e variada, pode contribuir para uma microbiota intestinal diversificada e para a saúde metabólica.

E o óleo de coco e o azeite?

No conteúdo, o Dr. Lair Ribeiro destaca ainda o consumo de gorduras como o óleo de coco e o azeite.

O azeite, particularmente o azeite virgem extra, tem um papel importante em vários padrões alimentares associados à boa saúde cardiovascular, incluindo a dieta mediterrânica.

O azeite é rico em gorduras monoinsaturadas e contém compostos bioativos, incluindo polifenóis, dependendo do tipo e qualidade.

Já o óleo de coco apresenta uma composição bastante diferente, sendo particularmente rico em gordura saturada.

Embora seja utilizado por algumas pessoas para cozinhar devido à sua estabilidade térmica, isso não significa que seja necessariamente superior ao azeite em termos de saúde cardiovascular.

A afirmação de que determinado óleo é sempre a melhor opção para cozinhar depende de vários fatores, incluindo temperatura, tipo de preparação e contexto alimentar.

Para a alimentação quotidiana, o mais importante é olhar para o conjunto da dieta.

O que podemos fazer para proteger o cérebro?

Apesar das diferenças entre algumas afirmações do discurso e aquilo que é consensualmente aceite pela ciência, existe uma mensagem prática que merece ser valorizada: existem vários comportamentos que podemos adotar para cuidar da saúde cerebral.

Entre os principais encontram-se:

  • Praticar exercício físico regularmente.
  • Manter um peso saudável.
  • Controlar a pressão arterial.
  • Controlar a diabetes e a glicemia.
  • Não fumar.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool.
  • Ter uma alimentação equilibrada.
  • Dormir adequadamente.
  • Manter relações sociais e atividade intelectual.
  • Tratar problemas de audição quando existem.
  • Fazer acompanhamento médico regular.
  • Manter o colesterol e outros fatores cardiovasculares sob controlo.

Nenhuma destas medidas oferece uma garantia absoluta contra o Alzheimer. Contudo, várias delas estão associadas à redução de fatores de risco modificáveis para demência.

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A prevenção começa muito antes dos primeiros sintomas

Uma das ideias mais importantes que podemos retirar desta discussão é que a saúde cerebral não deve ser uma preocupação apenas na terceira idade.

O cérebro acompanha-nos durante toda a vida e é influenciado pelas condições em que vivemos.

Alimentação, atividade física, sono, estresse, saúde cardiovascular, consumo de tabaco e álcool e interação social podem contribuir, em conjunto, para o nosso estado de saúde ao longo das décadas.

Por isso, esperar pelos primeiros problemas de memória para começar a cuidar do cérebro pode ser uma estratégia tardia.

Também é importante não cair no extremo oposto e acreditar que existe uma fórmula milagrosa capaz de impedir o Alzheimer.

A doença é complexa e ainda não existe uma forma garantida de prevenção. Existem fatores de risco que podemos modificar e outros que não conseguimos alterar, como a idade e determinadas características genéticas.

Conclusão

A pergunta “por que é que o Alzheimer está a aumentar?” não tem uma única resposta.

O envelhecimento da população é um dos fatores mais importantes, mas a investigação aponta também para uma relação entre saúde cerebral e diversos fatores modificáveis, incluindo atividade física, saúde cardiovascular, alimentação, tabagismo, consumo de álcool, diabetes, hipertensão e outros aspetos do estilo de vida.

O conteúdo do Dr. Lair Ribeiro chama ainda a atenção para a genética, nomeadamente para o gene APOE, para a epigenética e para as possíveis reações individuais aos alimentos. Estes são temas interessantes, mas algumas das afirmações apresentadas devem ser interpretadas com prudência e não substituem a evidência científica disponível nem a avaliação de um profissional de saúde.

Ter uma variante genética associada a maior risco não significa que uma pessoa esteja condenada a desenvolver Alzheimer. Da mesma forma, consumir determinado alimento ou óleo não determina, por si só, a saúde do cérebro.

A melhor abordagem passa por olhar para o conjunto.

Uma alimentação equilibrada, exercício regular, sono adequado, controlo dos fatores de risco cardiovasculares, estimulação cognitiva, vida social ativa e acompanhamento médico são medidas muito mais importantes do que procurar um único “ingrediente secreto” para prevenir a doença.

Cuidar do cérebro é, afinal, cuidar da saúde como um todo. E quanto mais cedo começarmos, maior será a oportunidade de preservar a nossa qualidade de vida ao longo dos anos.

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