A suplementação com vitaminas e minerais tornou-se um tema cada vez mais discutido, sobretudo quando se fala de saúde dos ossos, coração, músculos, energia e envelhecimento. Entre os nutrientes que mais despertam interesse encontram-se o cálcio, o magnésio, a vitamina D3, a vitamina K2, o zinco, o boro e algumas vitaminas do complexo B.
O Dr. Lair Ribeiro destaca a importância de olhar para estes nutrientes em conjunto, em vez de analisar cada um de forma isolada. Entre os vários temas abordados, destacam-se particularmente a vitamina K2 e a sua relação com o metabolismo do cálcio, diferentes formas de magnésio, a vitamina D3, a vitamina B6, o licopeno e a importância de avaliar possíveis carências nutricionais.
A ideia central apresentada pelo médico é que a suplementação deve ser encarada dentro de uma visão mais ampla da saúde. Não basta simplesmente ingerir cálcio, por exemplo. É necessário compreender como o organismo absorve, transporta e utiliza os diferentes nutrientes.
Este artigo tem como base o conteúdo fornecido do Dr. Lair Ribeiro e procura organizar as suas principais ideias de forma clara e acessível. As afirmações médicas são apresentadas como parte da perspectiva exposta na fonte e não constituem uma recomendação médica individual. Antes de iniciar suplementos, especialmente em doses elevadas, é importante falar com um médico ou nutricionista.
Por que razão a vitamina K2 despertou tanto interesse?
Um dos principais temas abordados pelo Dr. Lair Ribeiro é a vitamina K2, sendo apresentada uma referência histórica ao trabalho do dentista Weston A. Price, que terá estudado diferentes populações tradicionais e observado diferenças na alimentação e na saúde oral.
Segundo o relato apresentado, Price realizou várias viagens para estudar comunidades que ainda mantinham estilos de vida e alimentação tradicionais. O médico refere que essas populações apresentavam características que despertaram a atenção do investigador, particularmente ao nível da saúde dentária.
Ao analisar os alimentos consumidos por essas comunidades, Price identificou uma elevada presença de determinadas vitaminas lipossolúveis e descreveu aquilo a que chamou “fator X”.
Na narrativa apresentada pelo Dr. Lair Ribeiro, este fator é posteriormente associado à vitamina K2.
É importante, contudo, distinguir esta interpretação histórica daquilo que atualmente está estabelecido pela investigação científica. A vitamina K2 faz parte da família da vitamina K e está envolvida em processos relacionados com a coagulação e com o metabolismo ósseo.
Vitamina K2 e cálcio
Uma das ideias mais repetidas pelo Dr Lair é a relação entre vitamina K2 e cálcio e ele utiliza uma comparação particularmente simples: apresenta a vitamina K2 como uma espécie de “GPS do cálcio”.
A metáfora pretende explicar que não basta consumir cálcio. É necessário que o organismo consiga utilizá-lo adequadamente nos tecidos onde é necessário.
Na perspetiva apresentada, a vitamina K2 desempenharia um papel importante neste processo.
A vitamina K está envolvida na ativação de determinadas proteínas, incluindo proteínas relacionadas com o tecido ósseo e com a regulação da deposição de cálcio.
É por isso que a vitamina K2 tem sido objeto de investigação relativamente à saúde dos ossos e ao sistema cardiovascular.
No entanto, isto não significa que qualquer pessoa que tome cálcio precise automaticamente de vitamina K2 em suplemento. As necessidades nutricionais variam de pessoa para pessoa e a suplementação deve ser individualizada.
O problema de pensar apenas no cálcio
O Dr. Lair Ribeiro também aborda uma questão muito importante: a tendência para associar imediatamente a saúde dos ossos ao cálcio.
Quando se fala de osteoporose ou de fragilidade óssea, é frequente pensar que a solução passa simplesmente por aumentar a ingestão de cálcio.
Mas os ossos são estruturas complexas.
Além dos minerais, possuem uma matriz constituída por proteínas, sobretudo colagénio, sobre a qual os minerais são depositados.
Por isso, a saúde óssea depende de vários fatores: alimentação, proteínas, cálcio, vitamina D, atividade física, estado hormonal, idade, genética e outros nutrientes.
O cálcio é importante, mas não é o único elemento envolvido.
É precisamente neste contexto que o Dr. Lair Ribeiro defende uma abordagem que combine diferentes nutrientes, destacando a vitamina D3, a vitamina K2 e o magnésio.
Vitamina D3 e absorção do cálcio
A vitamina D3 é outro dos nutrientes destacados.
A vitamina D desempenha um papel importante no metabolismo do cálcio e do fósforo e contribui para a manutenção de ossos e dentes normais.
Uma deficiência de vitamina D pode prejudicar a saúde óssea.
A exposição solar é uma das formas naturais através das quais o organismo consegue produzir vitamina D, embora a quantidade produzida dependa de diversos fatores.
Também existem alimentos e suplementos que fornecem vitamina D.
No entanto, tomar doses elevadas sem avaliação pode ser inadequado. A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel e, quando existe suplementação excessiva, podem surgir problemas.
Por isso, quando existe suspeita de deficiência, pode ser aconselhável realizar análises e discutir os resultados com um profissional de saúde.
O magnésio como “maestro” do organismo
O Dr. Lair Ribeiro descreve o magnésio como o “maestro” de vários processos do organismo, destacando a sua participação em numerosas reações enzimáticas.
O magnésio é, de facto, um mineral essencial e participa em muitas funções fisiológicas.
Está envolvido no metabolismo energético, na função muscular e nervosa, na síntese de proteínas e na manutenção da estrutura óssea.
É também importante para o funcionamento normal das células.
Na entrevista, é apresentada a ideia de que uma quantidade significativa de pessoas poderá apresentar uma ingestão insuficiente de magnésio.
Embora não seja correto afirmar que todas as pessoas têm necessariamente deficiência, é verdade que uma alimentação pouco variada e pobre em alimentos ricos em minerais pode contribuir para uma ingestão inadequada.
Onde encontrar magnésio através da alimentação?
Antes de pensar em suplementos, uma das estratégias mais simples é observar a alimentação.
Existem vários alimentos que fornecem magnésio.
Entre eles encontram-se frutos secos, sementes, leguminosas, cereais integrais, alguns vegetais de folha verde e cacau.
O próprio Dr. Lair Ribeiro destaca o cacau como uma fonte interessante.
É aqui que surge a referência ao chocolate preto.
Um chocolate com elevada percentagem de cacau pode conter uma quantidade relevante de magnésio. No entanto, é importante distinguir cacau com elevado teor de cacau de chocolate com muito açúcar.
Se o objetivo é aumentar a ingestão de cacau, um produto com elevada percentagem de cacau e pouco açúcar pode ser uma opção mais interessante do ponto de vista nutricional.
Isto não significa, contudo, que comer chocolate seja um tratamento para a hipertensão ou substitua medicamentos.
Diferentes formas de magnésio
Uma das partes mais específicas do conteúdo é a discussão sobre as diferentes formas de magnésio.
O Dr. Lair Ribeiro menciona várias formas, incluindo:
- cloreto de magnésio
- magnésio malato
- magnésio treonato
- magnésio glicinato
Ele fala que diferentes formas podem ser escolhidas de acordo com o objetivo pretendido.
Por exemplo, o magnésio treonato é associado à função cerebral, enquanto o magnésio malato é relacionado com energia e o magnésio glicinato com a saúde óssea.
É importante não interpretar esta parte da entrevista como uma regra universal.
As diferentes formas de magnésio apresentam características diferentes e a escolha deve considerar a situação individual, a quantidade de magnésio elementar fornecida, tolerância digestiva, medicamentos utilizados e eventuais problemas de saúde.
Além disso, a suplementação de magnésio pode provocar efeitos gastrointestinais, especialmente em determinadas formas e doses.
Magnésio e atividade física
O Dr Lair também aborda a relação entre magnésio e exercício.
O magnésio participa do metabolismo energético e da função muscular. Por esse motivo, é um mineral relevante para quem pratica atividade física.
O Dr. Lair Ribeiro chama particularmente a atenção para pessoas que fazem sauna ou atividades que provocam transpiração intensa.
A transpiração pode levar à perda de eletrólitos, embora a quantidade perdida varie bastante entre pessoas e condições.
Por isso, atletas e pessoas que praticam exercício intenso precisam de atenção não apenas à hidratação, mas também à reposição adequada de eletrólitos quando necessário.
Ainda assim, não se deve assumir que qualquer episódio de transpiração implica automaticamente necessidade de suplementação de magnésio.
Uma alimentação equilibrada normalmente contribui significativamente para a ingestão deste mineral.
Magnésio e saúde cardiovascular
Outro tema abordado é a relação entre magnésio e coração.
O magnésio participa do funcionamento normal dos músculos, incluindo o músculo cardíaco.
Lair Ribeiro menciona também a utilização de magnésio em situações relacionadas com arritmias.
Existem, efetivamente, situações clínicas específicas em que o magnésio é utilizado em contexto médico, mas isso não significa que um suplemento de magnésio seja um tratamento geral para qualquer arritmia.
Alterações do ritmo cardíaco podem ter causas muito diferentes e algumas podem ser potencialmente graves.
Perante palpitações persistentes, desmaios, dor no peito ou outros sintomas cardiovasculares, é fundamental procurar avaliação médica.
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Vitamina B6 e a forma P5P
A vitamina B6 é outro nutriente abordado na entrevista.
O Dr. Lair Ribeiro diferencia a piridoxina da forma ativa conhecida como piridoxal-5-fosfato, frequentemente abreviada como P5P.
A vitamina B6 participa em numerosas reações metabólicas e está relacionada com o metabolismo de aminoácidos, neurotransmissores e outras funções do organismo.
Na entrevista, são mencionados neurotransmissores como dopamina, serotonina e GABA.
Também é discutida a relação entre vitamina B6 e homocisteína.
A homocisteína é um marcador metabólico que pode ser influenciado por várias vitaminas do complexo B, incluindo B6, folato e B12.
No entanto, um valor elevado de homocisteína não deve ser interpretado isoladamente. É necessário investigar possíveis causas e avaliar outros fatores de risco.
Será que todos precisam de P5P?
O Dr Lair apresenta a ideia de que algumas pessoas podem ter maior dificuldade em converter determinadas formas de vitamina B6 na forma biologicamente ativa.
É uma questão relacionada com diferenças individuais e metabolismo.
No entanto, isso não significa que toda a população precise de consumir diretamente P5P.
A maioria das pessoas consegue obter vitamina B6 através da alimentação e metabolizar as formas presentes nos alimentos.
Além disso, doses elevadas de vitamina B6 durante períodos prolongados podem causar problemas neurológicos.
Por isso, mais uma vez, “mais” não significa necessariamente “melhor”.
Vitamina A, D3, K2, magnésio, zinco e boro
O Dr. Lair Ribeiro também menciona uma combinação de vários nutrientes:
- vitamina A
- vitamina D3
- vitamina K2
- magnésio
- cálcio
- zinco
- boro
A ideia apresentada é que estes nutrientes podem trabalhar em conjunto dentro de determinados processos fisiológicos, particularmente quando se fala de ossos e metabolismo mineral.
É uma abordagem interessante porque mostra que o organismo não funciona através de nutrientes isolados.
Porém, esta combinação não deve ser transformada numa “fórmula universal”.
Cada pessoa tem necessidades diferentes. Além disso, vitaminas e minerais podem interagir com medicamentos e determinadas doenças.
O cálcio, por exemplo, pode interferir com a absorção de alguns medicamentos. A vitamina K é particularmente relevante para pessoas que utilizam determinados anticoagulantes.
Por isso, antes de iniciar uma combinação deste género, é importante falar com um profissional de saúde.
O licopeno e o tomate
O conteúdo também aborda o licopeno, um pigmento natural encontrado em vários alimentos, particularmente no tomate.
O licopeno é um carotenoide e apresenta propriedades antioxidantes.
Uma característica interessante do licopeno é que o processamento e a presença de gordura podem influenciar a sua biodisponibilidade.
Por isso, produtos como molho de tomate cozinhado podem fornecer licopeno de uma forma diferente do tomate cru.
A associação entre tomate e saúde da próstata é frequentemente estudada, embora seja importante não transformar o consumo de tomate numa promessa de prevenção ou tratamento de doenças prostáticas.
Próstata aumentada não significa cancro
Outro ponto interessante discutido pelo renomado médico brasileiro é a distinção entre hiperplasia benigna da próstata e cancro da próstata.
São condições diferentes.
A hiperplasia benigna da próstata consiste num aumento não canceroso da próstata que pode provocar sintomas urinários, sobretudo à medida que os homens envelhecem.
O cancro da próstata é uma doença diferente, com características próprias.
Ter uma próstata aumentada não significa automaticamente que a pessoa tenha cancro ou que a hiperplasia vá transformar-se em cancro.
Apesar disso, sintomas urinários ou alterações nos exames devem ser avaliados por um médico.
A importância de não transformar suplementos em medicamentos
Talvez a principal conclusão a retirar deste conteúdo seja a necessidade de compreender a diferença entre suplementação e tratamento médico.
Vitaminas e minerais são essenciais para o organismo.
Isso não significa que todos precisem de suplementos.
Uma pessoa com alimentação equilibrada e sem qualquer deficiência pode não obter benefícios adicionais significativos ao tomar grandes quantidades de determinados nutrientes.
Por outro lado, uma pessoa com uma deficiência diagnosticada pode beneficiar de suplementação adequada.
É precisamente aqui que entram as análises, o histórico clínico e a avaliação individual.
Suplementação deve ser personalizada
A ideia de que existe uma única combinação perfeita para todas as pessoas é demasiado simplista.
Idade, sexo, alimentação, atividade física, doenças existentes, função renal, medicamentos e objetivos pessoais podem alterar completamente as necessidades de suplementação.
Uma pessoa pode necessitar de vitamina D.
Outra pode precisar de corrigir uma deficiência de ferro.
Outra pode ter uma alimentação que fornece magnésio suficiente.
Outra pode necessitar de acompanhamento específico devido a uma condição clínica.
Portanto, o primeiro passo não deveria ser comprar uma grande quantidade de suplementos.
Deveria ser perceber o que realmente é necessário.
Alimentação continua a ser a base
Apesar do Dr Lair dar bastante destaque aos suplementos, existe uma conclusão importante que pode ser aplicada de forma geral: a alimentação continua a ser fundamental.
Uma dieta variada pode fornecer uma grande quantidade de vitaminas, minerais, proteínas, fibras e compostos bioativos.
Vegetais, fruta, leguminosas, frutos secos, sementes, peixe, ovos e outros alimentos nutricionalmente densos podem contribuir para uma alimentação equilibrada.
Os suplementos podem ter utilidade em determinadas circunstâncias, mas não substituem uma alimentação de qualidade.
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Conclusão
O Dr. Lair Ribeiro aborda uma grande variedade de temas relacionados com suplementação e saúde, destacando principalmente a vitamina K2, o magnésio, o cálcio e a vitamina D3.
Uma das ideias centrais é que os nutrientes não devem ser vistos de forma completamente isolada. O organismo depende de uma complexa interação entre vitaminas, minerais, proteínas, hormonas, enzimas e outros compostos.
A vitamina K2 é apresentada pelo médico como uma espécie de “GPS do cálcio”, numa metáfora destinada a explicar a importância da utilização adequada dos minerais pelo organismo.
O magnésio surge como outro dos grandes protagonistas, sendo abordado em relação ao metabolismo energético, músculos, ossos e função cardiovascular. São ainda mencionadas diferentes formas de magnésio, como o cloreto, malato, treonato e glicinato.
A vitamina D3, a vitamina B6, o zinco, o boro e o licopeno também fazem parte da abordagem apresentada.
Contudo, é fundamental evitar a conclusão de que todas as pessoas devem tomar automaticamente todos estes suplementos.
A suplementação deve ser individualizada e, sempre que possível, baseada na avaliação das necessidades reais da pessoa. Algumas vitaminas e minerais podem tornar-se prejudiciais quando ingeridos em excesso e determinados suplementos podem interagir com medicamentos.
Assim, a principal mensagem que podemos retirar é que cuidar da saúde implica compreender o organismo como um todo e não procurar soluções milagrosas num único suplemento.
Uma alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, acompanhamento médico e avaliação periódica do estado de saúde continuam a ser pilares fundamentais.
E, quando existe uma verdadeira necessidade de suplementação, o mais importante não é simplesmente tomar mais vitaminas ou minerais, mas escolher aquilo que faz sentido para cada pessoa, na quantidade adequada e com acompanhamento profissional.
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