A alimentação tem um papel fundamental na saúde, mas nem sempre é fácil perceber quais são realmente as melhores escolhas. Entre suplementos, alimentos ricos em proteína, hidratos de carbono, frutas e produtos considerados “saudáveis”, existem muitas opiniões diferentes e, por vezes, informações contraditórias.
Numa entrevista com o Dr. Lair Ribeiro, foram abordados vários destes temas, com especial destaque para a utilização das proteínas do leite, o whey protein, a quantidade de hidratos de carbono presente em alguns produtos industrializados e a relação entre alimentação, obesidade e resistência à insulina.
O médico renomado também fala sobre aquilo que considera ser um dos grandes problemas de saúde da atualidade: a resistência à insulina. Na entrevista, relaciona este problema com a obesidade, diabetes tipo 2, alterações dos níveis de colesterol e triglicéridos e outras doenças.
Outro dos temas abordados é o índice glicémico dos alimentos. O Dr. Lair Ribeiro compara alimentos como a batata inglesa, a batata-doce e o yacon e destaca ainda o mirtilo pelas suas características nutricionais.
Whey protein: é realmente uma boa fonte de proteína?
Um dos primeiros assuntos abordados na entrevista é o whey protein, suplemento bastante popular entre praticantes de exercício físico e pessoas que procuram aumentar a ingestão diária de proteína.
O whey protein é produzido a partir do leite, sendo constituído essencialmente por proteínas. Estas proteínas fornecem aminoácidos que podem ser utilizados pelo organismo para diferentes funções, incluindo a manutenção e reparação dos tecidos musculares.
No entanto, o Dr. Lair Ribeiro chama a atenção para uma distinção que considera importante: uma coisa é absorver os aminoácidos provenientes de uma proteína e outra é a quantidade desses aminoácidos que acaba por ser efetivamente utilizada pelo organismo.
Na entrevista, é apresentada uma percentagem de utilização da proteína do whey que, segundo o médico, seria de 16%, comparando-a com uma percentagem superior atribuída ao ovo.
Esta afirmação deve ser interpretada com alguma cautela. A qualidade nutricional de uma proteína não pode ser resumida simplesmente a uma percentagem isolada de “aproveitamento”. Existem diferentes métodos para avaliar a qualidade e digestibilidade das proteínas, e fatores como o perfil de aminoácidos, a quantidade consumida, a digestibilidade e as necessidades individuais também são relevantes.
Por isso, não é correto concluir automaticamente que o whey protein é uma proteína “má” ou inútil.
O problema pode estar nos ingredientes adicionados
Uma das críticas apresentadas na entrevista não está necessariamente relacionada com a proteína do leite em si, mas com a forma como alguns produtos são comercializados.
Durante o processo de industrialização, determinados produtos proteicos podem conter outros ingredientes, incluindo hidratos de carbono e açúcares. Por isso, olhar apenas para a quantidade de proteína indicada na embalagem pode não ser suficiente.
É importante consultar a tabela nutricional e verificar não só a quantidade de proteína, mas também os hidratos de carbono, açúcares, gordura, calorias e restantes ingredientes.
O entrevistado menciona ainda um programa televisivo que analisou várias marcas de whey protein comercializadas no Brasil e critica a presença de açúcar em determinados produtos.
Independentemente das conclusões desse programa, a ideia de analisar cuidadosamente os rótulos é pertinente. Dois produtos que parecem semelhantes podem apresentar composições nutricionais bastante diferentes.
Nem todo o produto rico em proteína é automaticamente saudável
A popularidade dos alimentos e suplementos ricos em proteína aumentou significativamente nos últimos anos. No entanto, a palavra “proteína” utilizada na embalagem não transforma automaticamente um produto numa escolha saudável.
Um alimento pode apresentar uma quantidade elevada de proteína e, simultaneamente, conter quantidades consideráveis de açúcar, gordura ou calorias.
Por isso, quando se compra um suplemento ou alimento proteico, é aconselhável olhar para a composição completa.
Também é importante considerar o contexto. As necessidades de uma pessoa que pratica musculação regularmente podem ser diferentes das necessidades de alguém sedentário. Da mesma forma, pessoas com determinadas condições de saúde podem necessitar de aconselhamento profissional antes de introduzirem suplementos na alimentação.
Resistência à insulina: por que razão este tema é tão importante?
Outro dos grandes temas da entrevista é a resistência à insulina.
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas que desempenha um papel essencial na regulação da glicose no sangue. Depois de uma refeição, especialmente quando são consumidos alimentos que fornecem hidratos de carbono, a glicose no sangue pode aumentar. A insulina ajuda o organismo a utilizar e armazenar essa glicose.
A resistência à insulina acontece quando as células do organismo respondem menos adequadamente à ação da insulina.
Perante essa menor resposta, o organismo pode compensar produzindo mais insulina. Durante algum tempo, esta compensação pode contribuir para manter os níveis de glicose dentro de determinados valores.
É precisamente este mecanismo que o Dr. Lair Ribeiro destaca na entrevista.
A relação entre resistência à insulina e síndrome metabólica
O Dr Lair recorda também o conceito de síndrome metabólica, anteriormente designada por “síndrome X”.
A síndrome metabólica não corresponde a uma única doença, mas a um conjunto de fatores de risco que podem surgir associados. Entre eles encontram-se alterações dos triglicéridos e do colesterol HDL, pressão arterial elevada, aumento da gordura abdominal e alterações relacionadas com a glicose.
A presença simultânea de vários destes fatores aumenta o risco cardiovascular e está associada a problemas de saúde importantes.
A resistência à insulina pode fazer parte deste quadro, embora a relação entre os diferentes fatores seja complexa.
Por isso, quando alguém apresenta excesso de peso abdominal, alterações dos triglicéridos, pressão arterial elevada ou alterações da glicemia, é importante que esses indicadores sejam avaliados em conjunto por um profissional de saúde.
Resistência à insulina não significa automaticamente diabetes
Um dos pontos interessantes levantados no excerto é a ideia de que uma pessoa pode apresentar alterações metabólicas antes de desenvolver diabetes diagnosticável através dos parâmetros habituais.
É possível existir resistência à insulina durante algum tempo sem que a glicemia em jejum esteja necessariamente elevada.
Isto ajuda a perceber por que razão uma análise isolada da glicose não deve ser interpretada fora do contexto clínico.
A evolução para diabetes tipo 2 não acontece de um dia para o outro. Existem frequentemente alterações metabólicas que podem surgir antes do diagnóstico.
Ainda assim, é incorreto afirmar que uma pessoa com glicemia normal tem necessariamente “diabetes escondida”. A avaliação da resistência à insulina exige contexto clínico e exames adequados, e não pode ser determinada apenas pela observação de um valor de glicemia.
Obesidade e diabetes: duas condições frequentemente relacionadas
Na entrevista, o Dr. Lair Ribeiro utiliza o termo “diabesidade” para descrever a associação entre diabetes e obesidade.
Embora esta expressão seja utilizada em alguns contextos para destacar a relação entre as duas condições, não se trata simplesmente de uma única doença.
O excesso de peso, especialmente quando existe acumulação de gordura visceral, pode estar associado a alterações metabólicas que aumentam o risco de diabetes tipo 2.
Ao mesmo tempo, a alimentação, a atividade física, o sono, o stress, a genética e outros fatores podem influenciar o metabolismo.
Por essa razão, não existe uma única causa responsável por todos os casos de resistência à insulina.
Artigo Relacionado: Dr Lair Revela a Verdade Chocante Sobre a Diabetes
O papel do sono e do estresse
Outro ponto mencionado pelo médico é a influência do estilo de vida.
Na entrevista, são destacados o consumo excessivo de hidratos de carbono, a falta de sono e o stress como fatores que podem contribuir para alterações relacionadas com a resistência à insulina.
Esta perspetiva é importante porque a saúde metabólica não depende exclusivamente de um alimento específico.
Dormir adequadamente, praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável e seguir uma alimentação equilibrada são componentes importantes de um estilo de vida que pode ajudar a reduzir vários fatores de risco metabólico.
Assim, procurar uma solução exclusivamente num suplemento, num alimento ou numa dieta específica pode ser uma abordagem demasiado simplista.
Índice glicémico: o que significa?
A segunda parte da entrevista concentra-se no índice glicémico.
O índice glicémico é uma medida utilizada para classificar alimentos que contêm hidratos de carbono de acordo com o efeito que produzem na glicemia.
De forma simplificada, alimentos com índice glicémico mais elevado tendem a provocar uma subida mais rápida da glicose no sangue do que alimentos com índice glicémico mais baixo.
No entanto, o índice glicémico não conta toda a história.
A quantidade de alimento consumida também é importante. É aqui que surge o conceito de carga glicémica.
Índice glicémico e carga glicémica não são a mesma coisa
Um alimento pode apresentar um determinado índice glicémico, mas a resposta glicémica de uma refeição depende também da quantidade de hidratos de carbono efetivamente consumida.
A carga glicémica procura precisamente incorporar essa dimensão.
Por isso, classificar simplesmente um alimento como “bom” ou “mau” com base no índice glicémico pode ser enganador.
A forma como o alimento é preparado, a quantidade ingerida, a presença de fibra, proteína e gordura e a combinação com outros alimentos podem influenciar a resposta glicémica de uma refeição.
Batata inglesa versus batata-doce
Na entrevista, o Dr. Lair Ribeiro utiliza a batata como exemplo.
É apresentada uma comparação entre a batata inglesa e a batata-doce, com diferentes valores de índice glicémico.
Contudo, estes valores não são necessariamente fixos. O índice glicémico pode variar consoante a variedade do alimento, o grau de maturação, o método de preparação e outros fatores.
Assim, não devemos olhar para a batata inglesa ou para a batata-doce de forma isolada e concluir que uma é sempre prejudicial e a outra sempre saudável.
A quantidade e a forma como são consumidas continuam a ser fundamentais.
O yacon também é mencionado
Outro alimento referido na entrevista é o yacon.
O Dr. Lair Ribeiro apresenta-o como uma opção com índice glicémico mais baixo e associa-o particularmente à alimentação de pessoas com diabetes.
Apesar do interesse nutricional de determinados alimentos, é importante evitar generalizações como “este alimento é ideal para todos os diabéticos”.
Uma pessoa com diabetes deve considerar o conjunto da alimentação, a quantidade de hidratos de carbono, a medicação utilizada, a atividade física e os seus próprios valores de glicemia.
Qualquer alteração significativa da dieta deve, quando necessário, ser discutida com o médico ou nutricionista.
E o mirtilo?
O mirtilo é outro dos alimentos destacados na conversa.
Além de apresentar um perfil de hidratos de carbono relativamente interessante, o mirtilo contém diversos compostos bioativos, incluindo polifenóis e antocianinas, responsáveis por parte da sua coloração característica.
As antocianinas são compostos antioxidantes encontrados em vários frutos de cor vermelha, roxa ou azul.
Na entrevista, o mirtilo é descrito como um alimento particularmente interessante para o cérebro.
Uma alimentação saudável não depende de um único alimento
Talvez uma das principais conclusões que podemos retirar deste excerto seja a importância de olhar para a alimentação como um todo.
Não existe um alimento milagroso capaz de compensar uma dieta desequilibrada. Da mesma forma, consumir ocasionalmente um determinado alimento não significa, por si só, que uma pessoa tenha uma alimentação pouco saudável.
Uma alimentação equilibrada deve privilegiar variedade, alimentos pouco processados, fruta, legumes, leguminosas, cereais adequados às necessidades individuais e fontes de proteína de qualidade.
Também é importante controlar o consumo excessivo de açúcares adicionados e produtos ultraprocessados.
No caso dos suplementos, a regra deve ser semelhante: primeiro é necessário perceber se existe realmente necessidade.
Conclusão
A entrevista do Dr. Lair Ribeiro aborda temas que despertam cada vez mais interesse: whey protein, qualidade das proteínas, açúcar nos alimentos industrializados, resistência à insulina, obesidade, diabetes e índice glicémico.
A mensagem central passa pela necessidade de prestar maior atenção à composição dos alimentos e ao impacto global dos hábitos de vida na saúde.
No caso do whey protein, mais importante do que simplesmente perguntar se “faz bem” ou “faz mal” é analisar a composição do produto e perceber se existe realmente necessidade de suplementação.
Já relativamente à resistência à insulina, é fundamental compreender que se trata de um processo metabólico complexo, relacionado com vários fatores e que merece avaliação adequada.
O índice glicémico pode ser uma ferramenta útil, mas não deve ser utilizado isoladamente para classificar os alimentos. A quantidade consumida, a composição da refeição e o padrão alimentar global também são importantes.
Finalmente, alimentos como o mirtilo podem integrar uma alimentação equilibrada, mas não devem ser encarados como medicamentos ou soluções milagrosas.
Artigo Sugerido: A Tireoide Pode Causar Queda de Cabelo, Cansaço e Aumento de Peso? Dr. LAIR Explica
