Dr Lair explica como eliminar gases intestinais naturalmente

Os gases intestinais são um problema muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Sensação de barriga inchada, desconforto abdominal, pressão na região do abdómen, cólicas e flatulência frequente podem afetar significativamente a qualidade de vida. Muitas pessoas acabam por aceitar estes sintomas como uma consequência inevitável da idade ou da alimentação, quando, na realidade, podem indicar que algo não está a funcionar corretamente no intestino.

Segundo o médico e escritor Lair Ribeiro, os gases não devem ser encarados como algo normal quando ocorrem de forma persistente. Na sua perspetiva, o problema raramente está apenas no excesso de ar no intestino, mas sim no desequilíbrio da microbiota intestinal, nos hábitos alimentares e na forma como as refeições são feitas.

Embora algumas das recomendações apresentadas por Dr. Lair Ribeiro reflitam a sua visão pessoal e nem todas sejam consensuais na medicina baseada na evidência, muitas delas estão alinhadas com princípios gerais de saúde digestiva, como reduzir alimentos ultraprocessados, mastigar melhor os alimentos e consumir mais fibras.

Neste artigo, vamos explorar os três pilares que, segundo o médico, podem ajudar a reduzir significativamente os gases intestinais e melhorar a saúde digestiva.

Porque surgem os gases intestinais?

A formação de gases faz parte do funcionamento normal do aparelho digestivo. Durante a digestão, bactérias presentes no intestino fermentam determinados componentes dos alimentos, produzindo gases como:

  • Hidrogénio;
  • Metano;
  • Dióxido de carbono.

Além disso, uma parte do ar que engolimos ao comer ou beber também chega ao tubo digestivo.

O problema surge quando existe produção excessiva de gases ou dificuldade na sua eliminação, provocando sintomas como:

  • Barriga inchada;
  • Sensação de peso;
  • Dor abdominal;
  • Flatulência frequente;
  • Arroto excessivo;
  • Cólicas intestinais.

Segundo Dr. Lair Ribeiro, um intestino saudável deve produzir quantidades moderadas de gases, sem causar desconforto constante.

Como eliminar gases intestinais naturalmente

O primeiro pilar: deixar de alimentar as bactérias “erradas”

Uma das principais ideias defendidas por Dr. Lair Ribeiro é que o intestino funciona como um enorme ecossistema.

No interior do tubo digestivo vivem biliões de microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal.

Segundo esta perspetiva, algumas bactérias favorecem a saúde digestiva, enquanto outras podem produzir grandes quantidades de gases quando recebem determinados alimentos.

O objetivo, portanto, não é eliminar as bactérias, mas criar condições para que as espécies benéficas predominem.

Alimentos que podem favorecer a fermentação excessiva

Entre os alimentos apontados como potenciais promotores da produção de gases encontram-se:

  • açúcar refinado;
  • farinha branca;
  • refrigerantes;
  • doces industriais;
  • bolachas recheadas;
  • alimentos ultraprocessados;
  • bebidas açucaradas.

Estes produtos fornecem grandes quantidades de hidratos de carbono rapidamente fermentáveis, que podem favorecer determinadas bactérias intestinais.

Embora cada organismo reaja de forma diferente, reduzir alimentos ultraprocessados é uma recomendação amplamente aceite para melhorar a saúde digestiva.

O possível papel do glúten

Outro ponto abordado por Dr. Lair Ribeiro é o glúten.

É importante distinguir duas situações diferentes:

  • pessoas com doença celíaca, que devem eliminar totalmente o glúten;
  • pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca, cuja existência é reconhecida, embora ainda seja objeto de investigação.

Segundo o Dr Lair, algumas pessoas podem desenvolver inflamação intestinal ligeira após consumir alimentos ricos em glúten, contribuindo para:

  • fermentação intestinal;
  • gases;
  • distensão abdominal;
  • desconforto digestivo.

Quem suspeita desta sensibilidade deve conversar com um médico ou nutricionista antes de excluir grupos alimentares importantes da dieta.

A lactose também pode ser uma das causas

À medida que envelhecemos, muitas pessoas produzem menos lactase.

Esta enzima é responsável pela digestão da lactose presente no leite e em alguns derivados.

Quando a lactose não é devidamente digerida, chega ao intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias, originando:

  • gases;
  • diarreia;
  • cólicas;
  • barriga inchada.

Se os sintomas aparecem regularmente após consumir leite ou produtos lácteos, pode ser útil fazer uma avaliação médica para despistar intolerância à lactose.

A importância de observar o próprio organismo

Uma das recomendações mais interessantes presentes nas orientações de Dr. Lair Ribeiro é aprender a observar o próprio corpo.

Nem todos reagem da mesma forma aos mesmos alimentos.

Algumas pessoas toleram perfeitamente:

  • leite;
  • pão;
  • queijo;
  • frutas.

Outras apresentam desconforto significativo.

Manter um diário alimentar durante algumas semanas pode ajudar a identificar padrões entre determinados alimentos e o aparecimento dos gases.

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O segundo pilar: restaurar a microbiota intestinal

Depois de reduzir os alimentos que favorecem a fermentação excessiva, o segundo objetivo passa por fortalecer as bactérias benéficas.

É aqui que entram os probióticos e os prebióticos.

O que são os probióticos?

Os probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, podem beneficiar a saúde intestinal.

Existem diferentes estirpes estudadas, entre elas:

  • Lactobacillus;
  • Bifidobacterium;
  • Saccharomyces boulardii.

Nem todos os suplementos são iguais.

As diferentes estirpes têm indicações específicas e nem todas demonstraram eficácia para todos os problemas digestivos.

Por isso, a escolha ideal deve ser orientada por um profissional de saúde.

Alimentos naturalmente ricos em probióticos

Segundo Dr. Lair Ribeiro, uma forma natural de introduzir bactérias benéficas consiste em consumir alimentos fermentados.

Entre eles destacam-se:

  • kefir;
  • chucrute;
  • kimchi;
  • kombucha.

Estes alimentos fazem parte de várias culturas tradicionais há centenas de anos.

Embora nem todas as pessoas tolerem os fermentados da mesma forma, muitos deles fornecem diversidade microbiana interessante para o intestino.

O papel especial do kefir

Entre todos os alimentos fermentados, Dr. Lair Ribeiro dá especial destaque ao kefir.

O kefir contém diversas espécies de bactérias e leveduras que convivem em equilíbrio.

Muitas pessoas relatam melhorias na digestão após a sua introdução gradual na alimentação.

No entanto, quem apresenta síndrome do intestino irritável ou outras doenças intestinais deve iniciar o consumo lentamente e, se necessário, procurar aconselhamento profissional.

Prebióticos: o alimento das boas bactérias

Os prebióticos são fibras que servem de alimento às bactérias benéficas.

Sem eles, os probióticos têm maior dificuldade em se estabelecer no intestino.

Boas fontes incluem:

  • alho;
  • cebola;
  • espargos;
  • alcachofras;
  • banana verde;
  • chicória.

Uma alimentação rica em vegetais variados continua a ser uma das melhores estratégias para promover uma microbiota diversificada.

A sequência faz diferença

Segundo Dr. Lair Ribeiro, existe uma ordem lógica:

  1. reduzir os alimentos que favorecem a fermentação excessiva;
  2. introduzir bactérias benéficas;
  3. alimentar essas bactérias através das fibras.

A ideia é semelhante ao cultivo de um jardim: primeiro elimina-se o que prejudica, depois planta-se e finalmente nutre-se o solo.

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O terceiro pilar: mudar a forma de comer

Este talvez seja um dos aspetos mais negligenciados.

Muitas pessoas concentram-se apenas na qualidade dos alimentos, esquecendo completamente a forma como comem.

Segundo Dr. Lair Ribeiro, este pode ser um dos maiores responsáveis pelos gases intestinais.

Comer depressa aumenta a quantidade de ar engolido

Quando comemos muito rapidamente acontece algo chamado aerofagia.

Ou seja, engolimos ar juntamente com os alimentos.

Esse ar acaba por chegar ao aparelho digestivo, aumentando a sensação de distensão abdominal.

Falar durante a refeição, mastigar apressadamente ou comer enquanto caminhamos também pode favorecer este fenómeno.

Mastigar corretamente melhora toda a digestão

A digestão começa na boca.

A mastigação reduz os alimentos em partículas menores e mistura-os com a saliva.

A saliva contém enzimas que iniciam a digestão dos hidratos de carbono.

Quando os alimentos chegam demasiado inteiros ao estômago, todo o processo digestivo torna-se mais difícil.

Como consequência, aumenta a probabilidade de fermentação intestinal.

Dr. Lair Ribeiro recomenda mastigar cada garfada muitas vezes antes de engolir, permitindo que a digestão comece adequadamente logo na boca.

Comer até estar completamente cheio pode ser um erro

Outra ideia apresentada inspira-se nos hábitos alimentares tradicionais do Japão.

Em algumas regiões conhecidas pela elevada longevidade, existe o princípio de comer apenas até cerca de 80% da saciedade.

O objetivo é evitar excessos que dificultem o trabalho digestivo.

Independentemente da percentagem exata, comer devagar facilita que o cérebro reconheça a saciedade antes de ocorrer o excesso alimentar.

Deve beber água durante a refeição?

Este é um tema controverso.

Dr. Lair Ribeiro recomenda evitar grandes quantidades de líquidos durante as refeições por considerar que podem diluir o suco gástrico.

Contudo, a evidência científica disponível não demonstra que quantidades moderadas de água prejudiquem significativamente a digestão em pessoas saudáveis.

Ainda assim, evitar exageros e privilegiar a hidratação entre refeições pode ser uma estratégia confortável para algumas pessoas.

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O impacto do stress na digestão

O intestino e o cérebro comunicam constantemente.

Quando estamos sob stress intenso, o organismo ativa o chamado sistema nervoso simpático.

Neste estado, a digestão deixa de ser prioritária.

Como consequência, podem surgir:

  • digestão lenta;
  • maior fermentação intestinal;
  • gases;
  • sensação de enfartamento.

Criar um ambiente tranquilo durante as refeições pode favorecer o funcionamento normal do aparelho digestivo.

Comer com atenção faz diferença

Dr. Lair Ribeiro recomenda transformar as refeições num momento de calma.

Algumas práticas simples incluem:

  • sentar-se sem pressa;
  • respirar profundamente antes de começar;
  • evitar telemóvel e televisão;
  • concentrar-se na mastigação;
  • apreciar os sabores.

Estas estratégias ajudam a ativar o sistema nervoso parassimpático, associado ao repouso e à digestão.

Caminhar depois das refeições

Outra recomendação interessante é realizar uma caminhada ligeira de 10 a 15 minutos após comer.

Diversos estudos mostram que caminhar depois das refeições pode:

  • estimular os movimentos intestinais;
  • melhorar o esvaziamento gástrico;
  • ajudar no controlo da glicemia;
  • reduzir a sensação de enfartamento.

Não é necessário exercício intenso.

Uma simples caminhada em ritmo confortável pode ser suficiente.

Quando os gases podem indicar um problema mais sério?

Embora sejam frequentes, gases persistentes podem, por vezes, estar associados a outras condições médicas, como:

  • intolerância à lactose;
  • doença celíaca;
  • síndrome do intestino irritável;
  • disbiose intestinal;
  • doença inflamatória intestinal;
  • sobrecrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).

Se os sintomas forem persistentes ou acompanhados por sinais de alerta, como perda de peso involuntária, sangue nas fezes, febre, anemia ou dor intensa, é importante procurar avaliação médica.

Pequenas mudanças podem produzir grandes resultados

A principal mensagem transmitida por Dr. Lair Ribeiro é que muitos casos de gases intestinais podem melhorar significativamente através da mudança de hábitos.

Entre as medidas sugeridas destacam-se:

  • reduzir alimentos ultraprocessados;
  • diminuir o consumo de açúcar refinado;
  • avaliar a tolerância ao glúten e à lactose com orientação profissional;
  • consumir mais fibras;
  • introduzir alimentos fermentados quando apropriado;
  • mastigar lentamente;
  • evitar comer sob stress;
  • realizar caminhadas após as refeições.

Cada organismo responde de forma diferente, pelo que não existe uma solução universal.

Conclusão

Os gases intestinais não devem ser encarados como uma consequência inevitável da idade. Embora a produção de gases faça parte da digestão normal, o desconforto persistente, a barriga constantemente inchada e a flatulência excessiva merecem atenção.

As recomendações apresentadas por Lair Ribeiro baseiam-se em três pilares fundamentais: melhorar a alimentação, cuidar da microbiota intestinal e mudar a forma de comer. Apesar de algumas afirmações não representarem consenso científico, muitas das estratégias sugeridas — como reduzir alimentos ultraprocessados, mastigar melhor os alimentos, controlar o stress e privilegiar uma alimentação rica em fibras — são compatíveis com as atuais recomendações para uma boa saúde digestiva.

Em última análise, cuidar do intestino vai muito além de eliminar os gases. Um sistema digestivo equilibrado contribui para uma melhor absorção de nutrientes, maior conforto abdominal, mais energia e uma melhor qualidade de vida. Se os sintomas persistirem apesar das mudanças no estilo de vida, a avaliação por um médico ou gastroenterologista é essencial para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.

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