Gravidez na altura errada

A ideia sobre a idade ideal para engravidar sofreu consideráveis alterações ao longo do tempo. Enquanto que na década de 60, era considerado ideal engravidar entre os 18 e os 25 anos, atualmente considera-se a idade ideal para engravidar entre os 20 e os 25 anos.

De facto, ao longo do tempo a mulher foi alargando a altura para ser mãe e a experiência foi provando que os riscos da gravidez não aumentavam depois dos 25 aos 30 anos, alargando assim a faixa etária ideal para engravidar. Estas mudanças estão ligadas às oportunidades que as mulheres começaram a ter, com um maior número de entradas nas universidades e consequente alargamento do seu espaço no mercado. Por outro lado, o maior conhecimento e segurança dos métodos anticoncepcionais constituíram um fator para melhor definir a altura oportuna para engravidar. Contudo, Portugal é segundo as estatísticas um dos países da União Europeia em que ocorre grande número de gravidezes indesejadas na adolescência, sendo o segundo país da Europa com maior número de adolescentes grávidas, tendo um lugar de destaque também no quadro europeu do aborto voluntário. Em 2007, registaram-se 1690 gravidezes em adolescentes até aos 17 anos e, entre Julho de 2007 e Maio de 2008, abortaram na Maternidade Alfredo da Costa 90 adolescentes (REBELO, 2008).

Vários autores, dos quais se destacam Ventura (1991) consideram que a gravidez na adolescência deve ser considerada como uma gravidez de alto risco, por diversos fatores:

A adolescente encontra-se numa fase ativa do seu desenvolvimento físico e uma gravidez pode vir a alterá-lo significativamente;

A maioria das adolescentes não está preparada para encarar uma gravidez e suas alterações (psíquicas e físicas) devido à imaturidade psicológica característica desta faixa etária.

A gravidez na adolescência pode mudar a vida de uma pessoa, condicionará essa fase tão boa da vida que é a adolescência, pondo fim às suas prioridades de ter por exemplo uma carreira brilhante, ao interromper uma etapa e assumindo uma responsabilidade para o qual nem sempre estão preparadas. Pode-se falar também da problemática da maternidade monoparental.

Alguns especialistas afirmam que quando a escola promove a formação sobre educação sexual, diminui a probabilidade de gravidez precoce.

No caso de surgir uma gravidez na adolescência, a jovem vai necessitar que a família e as pessoas mais próximas acolham a notícia com compreensão e respeito, pois necessita de se exprimir e ser apoiada. Quando a família não aceita a gravidez surge o sentimento de culpa e acusação. Esta situação desencadeia dificuldades na relação consigo mesma, na aceitação da sua própria gravidez no seu projeto e interesses de adolescente. Surge o receio de possíveis alterações no relacionamento com o namorado e dificuldades em gerir a relação como seu grupo de amigos. Porque muitas vezes há dificuldade em encontrar um espaço onde se sinta confortável para falar sobre os seus medos e dúvidas face à situação vivida, o apoio psicológico é recomendável nestas situações.

A decisão de não ter o bebé, também coloca problemas muito graves pois este deve ser realizado até as 16 semanas de gestação e após abortar aparecem muitos sentimentos de culpa, stress e tristeza. Outro aspeto é que a adolescente sente-se muitas vezes pressionada a abortar, e não é o que deseja fazer verdadeiramente.

Carla Lemos

Author: Lemos

Carla Lemos Educadora de Infância com pós graduação especializada em Ensino Especial.

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