Dr Lair Revela 6 Medicamentos que Podem Aumentar o Risco de Problemas Cardíacos Após os 50 Anos

Muitas pessoas tomam medicamentos diariamente sem pensar duas vezes. Afinal, se foram recomendados por um profissional de saúde ou podem ser comprados facilmente na farmácia, é natural assumir que são totalmente seguros. No entanto, a realidade é mais complexa.

Alguns medicamentos de uso muito comum podem provocar efeitos secundários importantes no sistema cardiovascular, sobretudo em pessoas com mais de 50 ou 60 anos. Em determinados casos, podem contribuir para o aumento da pressão arterial, favorecer alterações do ritmo cardíaco, aumentar a retenção de líquidos ou interferir com outros tratamentos essenciais.

Este tema tem sido amplamente debatido por diversos profissionais de saúde, entre eles o Dr. Lair Ribeiro, que alerta para os riscos da utilização indiscriminada de determinados medicamentos e para a importância de avaliar regularmente toda a medicação utilizada.

Isso não significa que estes medicamentos sejam “maus” ou que devam ser interrompidos por iniciativa própria. Muitos deles salvam vidas quando utilizados corretamente. O problema surge quando são usados durante demasiado tempo, sem acompanhamento médico ou através da automedicação.

Neste artigo ficará a conhecer seis grupos de medicamentos que merecem especial atenção, perceberá porque podem representar um risco para o coração e descobrirá quais os cuidados que ajudam a proteger a saúde cardiovascular.

Porque o coração se torna mais sensível com o envelhecimento

À medida que envelhecemos, todo o organismo sofre alterações naturais.

As artérias tornam-se menos elásticas, o coração pode perder alguma capacidade de adaptação e os rins deixam de funcionar com a mesma eficiência. Ao mesmo tempo, muitas pessoas passam a acumular várias doenças crónicas, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou insuficiência renal.

Este conjunto de fatores faz com que qualquer medicamento tenha maior potencial para provocar efeitos secundários.

Além disso, é muito frequente encontrar pessoas que tomam cinco, seis ou até dez medicamentos diferentes diariamente. Esta situação, conhecida como polimedicação, aumenta significativamente o risco de interações medicamentosas.

Por esse motivo, qualquer alteração da medicação deve ser sempre acompanhada por um médico.

6 Medicamentos que Podem Aumentar o Risco de Problemas Cardíacos Após os 50 Anos

1. Descongestionantes nasais podem aumentar a pressão arterial

Os descongestionantes nasais encontram-se entre os medicamentos mais utilizados durante constipações, gripes e crises de rinite.

São conhecidos pela sua ação rápida, permitindo respirar melhor poucos minutos após a aplicação.

No entanto, muitas destas formulações contêm substâncias vasoconstritoras, como a pseudoefedrina ou a oximetazolina.

Estas substâncias atuam contraindo os vasos sanguíneos do nariz para reduzir o inchaço das mucosas.

O problema é que essa ação não fica limitada ao nariz.

Uma parte do medicamento é absorvida para a circulação sanguínea e pode provocar constrição dos vasos em várias regiões do corpo.

Como consequência, podem surgir:

  • aumento da pressão arterial;
  • aceleração dos batimentos cardíacos;
  • palpitações;
  • agravamento de arritmias já existentes;
  • aumento do esforço exigido ao coração.

Em pessoas com doença cardiovascular, hipertensão ou antecedentes de AVC, estes medicamentos devem ser utilizados apenas durante curtos períodos e segundo orientação médica.

Outro problema frequente é o chamado efeito rebound.

Depois de vários dias de utilização, o nariz volta a entupir ainda mais, levando a pessoa a usar novamente o spray e criando um ciclo de dependência.

Nestes casos, uma alternativa muito mais segura costuma ser a lavagem nasal com soro fisiológico.

2. Anti-inflamatórios podem anular o efeito dos medicamentos para a tensão arterial

Medicamentos como o ibuprofeno, diclofenac, naproxeno ou nimesulida fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas.

São extremamente eficazes no alívio da dor e da inflamação, mas não estão isentos de riscos.

Os anti-inflamatórios podem diminuir o fluxo sanguíneo para os rins, favorecendo a retenção de sódio e água.

Quando isso acontece, o organismo passa a reter mais líquidos.

O resultado pode incluir:

  • aumento da pressão arterial;
  • inchaço nas pernas;
  • agravamento da insuficiência cardíaca;
  • maior esforço para o coração.

Além disso, estes medicamentos podem reduzir a eficácia de vários anti-hipertensores.

Ou seja, uma pessoa pode estar a tomar corretamente a medicação para controlar a tensão arterial e, simultaneamente, um anti-inflamatório estar a dificultar esse controlo.

Estudos também demonstram que alguns anti-inflamatórios aumentam o risco de enfarte do miocárdio e AVC, sobretudo quando utilizados em doses elevadas ou durante períodos prolongados.

Sempre que possível, a dor crónica deve ser avaliada para identificar a sua causa e recorrer também a estratégias não farmacológicas, como fisioterapia, perda de peso ou exercício adaptado.

Descubra: 7 alimentos anti-inflamatórios poderosos

3. Protetores gástricos também merecem atenção

Os inibidores da bomba de protões, como o omeprazol, pantoprazol ou esomeprazol, revolucionaram o tratamento da gastrite, refluxo gastroesofágico e úlcera.

São medicamentos muito eficazes e seguros quando utilizados durante o tempo recomendado.

O problema surge quando permanecem em utilização durante meses ou anos sem reavaliação médica.

Ao reduzirem a produção de ácido no estômago, podem diminuir a absorção de alguns nutrientes importantes.

Entre eles destacam-se:

  • vitamina B12;
  • magnésio;
  • cálcio.

A deficiência de vitamina B12 pode provocar:

  • fadiga;
  • alterações de memória;
  • formigueiros;
  • anemia.

Já níveis baixos de magnésio podem favorecer:

  • cãibras;
  • fraqueza muscular;
  • alterações do ritmo cardíaco.

É importante salientar que estes efeitos não ocorrem em todas as pessoas nem justificam a interrupção do tratamento.

Contudo, quando existe necessidade de utilização prolongada, pode ser aconselhável realizar avaliações periódicas e exames laboratoriais.

4. Corticosteroides podem favorecer a hipertensão

Os corticosteroides são medicamentos fundamentais no tratamento de inúmeras doenças.

São utilizados em situações como:

  • asma;
  • doenças reumáticas;
  • doenças autoimunes;
  • alergias graves;
  • algumas doenças dermatológicas.

No entanto, quando utilizados durante muito tempo ou em doses elevadas, podem provocar vários efeitos secundários.

Entre os mais relevantes encontram-se:

  • retenção de líquidos;
  • aumento da pressão arterial;
  • aumento da glicemia;
  • aumento do colesterol;
  • maior risco cardiovascular.

Os corticosteroides podem também favorecer o aumento de peso e contribuir para alterações metabólicas importantes.

Por esse motivo, sempre que possível, utiliza-se a menor dose eficaz durante o menor período necessário.

5. Hormonas e testosterona exigem indicação médica rigorosa

Nos últimos anos aumentou significativamente a utilização de testosterona para fins estéticos ou de melhoria da performance física.

Contudo, este tratamento só deve ser realizado quando existe uma indicação clínica comprovada.

O uso inadequado pode provocar:

  • aumento da pressão arterial;
  • aumento do hematócrito;
  • maior viscosidade do sangue;
  • alterações no músculo cardíaco;
  • maior risco de trombose.

Estes riscos tornam-se ainda mais importantes em pessoas com fatores de risco cardiovascular.

Por isso, a utilização de terapêutica hormonal deve ser sempre acompanhada por um médico experiente e com monitorização laboratorial regular.

6. Suplementos estimulantes e termogénicos nem sempre são inofensivos

Muitos suplementos vendidos para aumentar a energia, acelerar o metabolismo ou favorecer a perda de peso contêm estimulantes.

Alguns incluem:

  • elevadas doses de cafeína;
  • sinefrina;
  • extratos vegetais estimulantes;
  • outras substâncias com ação sobre o sistema nervoso.

Estas formulações podem provocar:

  • aumento da frequência cardíaca;
  • palpitações;
  • elevação da pressão arterial;
  • ansiedade;
  • arritmias.

Embora sejam frequentemente comercializados como produtos naturais, “natural” não significa necessariamente seguro.

Quem sofre de hipertensão, doença cardíaca ou arritmias deve informar sempre o médico sobre todos os suplementos que utiliza.

O perigo da automedicação

Um dos maiores problemas é precisamente a automedicação.

É frequente guardar medicamentos antigos em casa e voltar a utilizá-los quando surgem sintomas semelhantes.

Também é comum seguir recomendações de familiares, amigos ou informações encontradas na Internet.

No entanto, um medicamento adequado para uma pessoa pode ser completamente inadequado para outra.

Além disso, muitos sintomas aparentemente simples podem esconder doenças que necessitam de diagnóstico.

Por exemplo:

  • dores persistentes podem indicar problemas articulares ou neurológicos;
  • congestão nasal prolongada pode estar relacionada com rinite alérgica ou apneia do sono;
  • azia frequente pode justificar investigação médica.

Tratar apenas o sintoma pode atrasar o diagnóstico correto.

Como reduzir os riscos para o coração

Existem várias estratégias simples que ajudam a diminuir o risco de complicações.

Faça uma revisão periódica da medicação

Pelo menos uma vez por ano, peça ao seu médico para rever toda a medicação que utiliza.

Leve consigo:

  • medicamentos sujeitos a receita;
  • medicamentos comprados sem receita;
  • suplementos alimentares;
  • vitaminas;
  • produtos naturais.

Muitas vezes existem medicamentos que já não são necessários.

Nunca suspenda medicamentos por iniciativa própria

Mesmo que leia informações preocupantes sobre determinado medicamento, nunca interrompa o tratamento sem orientação médica.

Em algumas situações, parar abruptamente pode ser muito mais perigoso do que continuar a medicação.

Controle regularmente a pressão arterial

Quem sofre de hipertensão deve medir a tensão arterial conforme recomendado pelo médico.

Um registo domiciliário pode fornecer informações muito mais úteis do que uma única medição realizada na consulta.

Artigo Relacionado: Pressão Arterial Depois dos 65 Anos: O Que o Dr. Lair Ribeiro Diz Sobre os Novos Valores Ideais

Esteja atento aos sinais de alerta

Procure assistência médica se surgirem sintomas como:

  • dor no peito;
  • falta de ar;
  • palpitações persistentes;
  • tonturas frequentes;
  • inchaço importante nas pernas;
  • aumento súbito da pressão arterial.

Quanto mais cedo um problema é identificado, maiores são as hipóteses de tratamento eficaz.

Hábitos que ajudam a proteger o coração

A medicação representa apenas uma parte da prevenção cardiovascular.

O estilo de vida continua a desempenhar um papel fundamental.

As recomendações mais importantes incluem:

  • manter uma alimentação equilibrada;
  • reduzir o consumo de sal;
  • privilegiar fruta, legumes e cereais integrais;
  • praticar exercício físico regularmente;
  • dormir bem;
  • controlar o peso corporal;
  • evitar o tabaco;
  • limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • controlar o stress.

Estes hábitos ajudam não apenas a proteger o coração, mas também a reduzir a necessidade de alguns medicamentos ao longo do tempo, sempre sob acompanhamento médico.

Descubra: Os melhores alimentos para desentupir as veias e artérias segundo o Dr. Lair Ribeiro

Conclusão

Os medicamentos são ferramentas indispensáveis na medicina moderna e, quando utilizados corretamente, salvam milhões de vidas todos os anos. No entanto, nenhum medicamento está completamente isento de riscos.

Descongestionantes nasais, anti-inflamatórios, protetores gástricos, corticosteroides, hormonas e suplementos estimulantes podem, em determinadas circunstâncias, aumentar o risco de complicações cardiovasculares, especialmente em pessoas com mais de 50 anos ou com doenças cardíacas pré-existentes.

A mensagem mais importante não é gerar medo nem incentivar a interrupção dos tratamentos, mas sim promover uma utilização mais consciente e informada dos medicamentos.

Rever regularmente a medicação com o médico, evitar a automedicação, controlar a pressão arterial e adotar hábitos de vida saudáveis são medidas simples que podem fazer uma enorme diferença na proteção do coração.

Sempre que surgir um novo sintoma ou existir dúvida sobre os medicamentos que utiliza, procure aconselhamento junto do seu médico ou farmacêutico. Um acompanhamento personalizado continua a ser a melhor forma de equilibrar os benefícios dos tratamentos com a segurança cardiovascular e garantir uma melhor qualidade de vida ao longo dos anos.

Artigo Sugerido: Dr Lair Explica como tratar problemas intestinais | Protocolo dos “4 Rs”


Author: Online Info

Informação útil e dicas práticas para o seu dia a dia.

Share This Post On

Comentários

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Online Info
Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando retorna ao nosso site e ajudar a nossa equipa a entender quais as secções do site você considera mais interessantes e úteis.