Serenidade de um toque, ao qual não se presencia qualquer desconforto

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Parece ela ser uma pessoa bem aparentada, entregue ao mundo real e feliz com a vida que leva. Mal sabemos nós que dentro dela há uma enorme falta da própria presença…
Tendo ela um olhar intrigante e cúmplice de uma felicidade inédita e esgotada no mundo.
Mas em coisas que nenhum reparou, reparei eu. Na cólera e despaixão que se encontra nos seus simples actos de agarrar as coisas, a forma de deitar a cabeça na almofada e a posição que têm os braços enquanto dorme profundamente, parecendo ela, de olhos fechados, incrivelmente comovida com o rumo que o sonho toma.
Todos eles foram incapazes de reparar, pois eu estive perto, tirando-lhe os cabelos da cara com esta grande mão áspera, perto da cara tranquila e calma daquela mulher tão jovem com uma pele morena, não demasiado, apenas o suficiente.
Reparei em tudo isto deitado ao lado dela com um braço sobre a sua cintura fina e curvada que acolhia um ventre firme e liso. E o outro braço estava junto à sua cabeça leve, de cabelos claros, lisos que me cobriam o braço por inteiro.
Constantemente lhe tocava delicadamente com as minhas mãos, tentando que fossem o mais leve possíveis. De vez em quando ela lá reagia e encostava o seu nariz ao meu braço.
Entretanto acordou olhando para mim com ternura tal que me derreteu por dentro. Virou-se finalmente para mim e abraçou-me tão sentidamente que me escapou o coração pela boca e me fez, de imediato, beijar os lábios macios e carenciados dela.
Reconfortante, pensei eu.
Massajei-lhe a cabeça e fiz-lhe festas em toda a cara até que acabei por vê-la adormecer outra vez, acabando eu por adormecer também…
No dia seguinte, ia ela outra vez com ar de pessoa altamente confiante e de bem com a vida, como se nada se passasse à sua volta… Coincidência.

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Author: Rutemorais

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