Tanta foto e não falar delas – as máquinas – e deles – os fabricantes: injustiça!

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Não farei propaganda – promessa.

Yashica FX – 3 super 2000 e lente 50 mm.

Nunca foi minha. Pai a comprou em “una tienda Paceña” (La Paz – Bolívia). Naqueles tempos, eu a pegava emprestado. Pai dizia: compre a tua máquina. Mas…, ele sempre liberava! Paizão de Aço. Eu não tinha alternativa: colecionava zeros no bolso.

Havia uma Rollei 35, mas não era uma opção. Tão ou mais complicada que aquelas moças tidas complexas. Mais ou menos assim: da ponta do fio de cabelo mais longo até a ponta da unha mais cumprida de qualquer um dos pés.

Então, não tinha outro jeito, era a Yashica. E esta maravilhosa “chica”, embora nunca tenha me proporcionado momentos inesquecíveis – como podem as tais senhoritas complexas –, deu-me oportunidade de produzir imagens muito especiais para mim.

Chegou um tempo que, olhando o seu belo corpo, via partes descascadas e partes oxidadas, Eu não me importava, era a maior curtição; sabia que eram frutos do uso e dos inúmeros manuseares. Hoje, ela está aposentada, descansando no luxo merecido, ornamentando um armário de nossa sala. A complicada, também: Rollei 35.

Bem antes disso, atitude: juntei e comprei uma Minolta Maxxum 7000. Usada, trazia seu próprio desgaste, que eu não podia curti-lo, pois não era meu. Mas, fiquei doido pela bichona. Eh! Isso mesmo: grandona e pesada! Não temia ser roubado, pois sem muito esforço transformava-se numa arma quase letal. Fiquei que nem uma criança, quase brincando como se ela fosse uma nave espacial. Mexia em seu zoom – aumentava e diminuía – e a admirava. Deu-me tudo o que podia até não aguentar mais. Eram meados de 2010.

Arrependi-me de tê-la dado. As recordações são mais fáceis de lembrar quando se pode visualizar algo que faça a conexão. Quando a memória enfraquece, as lembranças tendem ao desaparecimento, existindo um ícone ao alcance dos olhos, há uma sobrevida da vida vivida.

Repassei-a a um conhecido para que a consertasse, depois vendesse e pudesse sair de um infortúnio. Ele não o fez, se foi para Goiás e a perdi para sempre. As vivências ainda estão em mim, e quando me recordo, brota um sorriso discreto que, enquanto o meu bosque cinzento estiver verdejante, será frequentemente perene.

E sabe o que é mais irônico; ainda em 2010, ousei uma EOS 60D; famosinha mas meeira. Li o manual duas vezes, coloquei-a no devido armário e só a recorro quando necessito. Não houve brincadeira, não houve euforia, tampouco, fantasia.

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Author: WBZF

Bacharel em Ciências Econômicas UCSal e Bacharel em História UFBa.

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