Sociedade, multiculturalismo e educação

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Fenómenos como a globalização contribuíram para incrementar o multiculturalismo. Consequentemente a sociedade atual caracteriza-se por uma forte diversidade cultural e moral.

Perante esta pluralidade de culturas e pontos de vista morais, os cidadãos democráticos enfrentam um novo desafio: como viver no seio desta diversidade?

Cabanas citado por Patrício (2002) refere que:

En la sociedad preocupa, más que la diversidad, «la desigualdad». Porque la desigualdad es la diversidad en las ventanas sociales, cosa que supone unos priviligeados y unos desfavorecidos, y el caso de estos últimos es visto ( por muchos y sobre todo por ellos mismos) como un mal, como una injusticia, como un desorden (p.45).

É portanto necessário encontrar estratégias que promovam o respeito pelas diferentes culturas, consciencializem os cidadãos para a caracterização da diversidade como riqueza e não como ameaça, e promovam a igualdade de oportunidades entre as diferentes culturas permitindo, tanto quanto possível, que uns não sejam  priviligeados em relação a outros.

Como poderemos consciencializar os indivíduos para o respeito e aceitação da diferença? O melhor instrumento será sem dúvida a educação. A escola tem um papel fundamental na formação dos cidadãos pelo que o processo educativo não poderá ficar à margem destas questões.

Por um lado, sendo a educação um instrumento de socialización y de promoción personal e social de los individuos (Cabanas citado por Patrício,2002:46), poderá ser um meio para promover uma sociedade mais justa para todos, independentemente das diferenças que possam existir, através da igualdade de oportunidades. Para além disso, tendo um forte contributo na formação dos cidadãos, o ensino poderá ter um papel consciencializador e contribuir para que as sociedades do futuro sejam formadas por indivíduos regidos pelo respeito e tolerância e pela valorização da diferença.

A garantia da igualdade de oportunidades passa pela garantia de que todos os indivíduos tenham a mesma oportunidade de alcançar sucesso escolar e consequentemente pessoal e profissional. Para que tal aconteça os professores devem, perante uma população escolar no seio da qual as minorias étnico culturais têm uma presença cada vez mais forte e iniludível (Souta, 1997:37), promover uma educação que seja adequada para todos, e ao mesmo tempo para cada um. Patrício (2002) refere que a escola deve promover uma educação que o seja de cada pessoa, no respeito pela dimensão cultural também única dessa pessoa e das respetivas liberdades intrínsecas (p.83).

Por outro lado, a consciencialização dos alunos e a sua educação para a diversidade permitirá que na sociedade do futuro a convivência equilibrada e saudável, e as interações entre indivíduos com diferentes crenças sejam facilitadas. Para que isto aconteça, a formação dos alunos em educação cívico-moral deverá passar por ensiná-los a ser e conviver no seio de todo este pluralismo. Assim, a educação deverá contribuir para que os aprendentes desenvolvam atitudes de respeito e tolerância pela diferença; para que procurem critérios morais comuns de forma a que se estabeleça uma convivência tão harmoniosa quanto possível e para que sejam capazes de dar resposta aos desafios morais com que se deparem (Arantes, 2007). Esta construção de uma convivência equilibrada e saudável entre pessoas/culturas/moralidades diferentes não é uma tarefa fácil e nem sempre é cumprida com sucesso, no entanto é a chave para a garantia de um futuro em que as diferenças não sejam sinónimo de conflito e desigualdade.

Tendo a escola um papel fundamental para a promoção da igualdade de oportunidades e também na consciencialização dos indivíduos, é sem dúvida importante que os professores se informem acerca deste assunto e que procurem dar resposta às necessidades educativas que advém do multiculturalismo.

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Author: cp90

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