“Se a submissão não se reconhece paradoxal, torna-se invisível para as suas próprias vítimas,
como elas próprias acabam por assumir uma atitude de cumplicidade
encantada com os dominadores e o seu mundo” (Laura Santos, 1999).
Escolher um tema para estudar é sempre algo de complexo, pois o investigador tem de deparar-se com uma variedade de dificuldades e obstáculos. Dificuldades em problematizar a temática de forma coerente e pertinente, e em ultrapassar barreiras epistemológicas (entre outras). Estar ciente desta complexidade é ter a humildade de assumir que não é com facilidade que se consegue desenhar um qualquer objecto de estudo, quanto mais absorvê-lo e tratá-lo, ainda que seja apenas numa dimensão!!!
Assim, e para não ferir a ciência e defender algumas das minhas aspirações (de entre estas, o sossego do pensamento), interesso-me, apenas, por algumas rubricas e atrevo-me a tecer algumas inquietações… exemplo disso, o facto de algumas mulheres poderem demonstrar ou dar a entender a outros, alguma permeabilidade e passividade face à violência que, muitas vezes, vivem dentro da própria casa, independentemente da sua classe social (este indicador resultaria, provavelmente em diferentes teses).
Indo mais longe do que a tão narrada dependência económica em relação ao companheiro, terá a mulher dependência afectiva e/ou social para permanecer numa relação amorosa violenta? Porque sustém a mulher uma relação baseada em laivos de violência cíclica? Estaremos perante uma forma de “submissão paradoxal” (Pierre Bourdieu, 1998)?
Pergunto-me:
Quais serão as causas efectivas da permanência de uma mulher, economicamente independente, numa relação amorosa violenta?
E… até que ponto nos sentiremos soberanos para dar respostas coerentes e incisivas face a quem a vive na pele?