Sou sexta-feira treze, o dia mais temido do mundo. E já tô de saco cheio de toda essa crendice que me acompanha. É um tal de gente com medo de sair na rua, de atravessar avenida, de gente se mijando de medo…eu já disse mil vezes, não existe essa coisa de dia bom ou ruim! Dia é tudo a mesma coisa e ponto final!
Vamos nos lembrar de uma definição básica, a definição de dia. O que é dia? Dia é o resultado do movimento de rotação que a terra faz em torno de si mesma. Ora, rotações são movimentos repetitivos que duram 24 horas. Então não há sentido classificar um dia como bom ou ruim, já que seria o mesmo que considerar o movimento de rotação bom ou ruim. Rotação é rotação, não está sujeita a juízo de valor, é apenas um movimento do planeta e acabou.
Agora, se no passado alguém resolveu usar uma serra elétrica pra extravasar as tensões justamente numa sexta-feira treze, paciência! Essas coisas acontecem, as pessoas piram e cometem loucuras por aí. Mas não é por isso que eu vou aceitar que minha imagem continue vinculada a esse acontecimento pro resto da vida! Aliás, não sou o único dia insatisfeito com esses estigmas.
Ontem mesmo eu conversava com o colega 2 de Novembro e ele teve uma crise de nervos! Esse pobre diabo foi transformado no Dia de Finados! Sabe o que é isso? Ter a sua imagem ligada a a mortos, túmulos, coroa de flores e tudo quanto é coisa em decomposição? Pois o dia 2 de Novembro, que é um dia como outro qualquer, já nasce se sentindo uma caveira encapuzada empunhando uma foice numa das mãos esqueléticas. Mórbido…
Pior ainda é a situação do dia 1 de Abril. O que fizeram a esse infeliz não se faz nem ao pior dos inimigos. Simplesmente o transformaram no maior símbolo daquilo que o capeta inventou: a mentira. E aí é sempre a mesma coisa. Basta meu amigo nascer pra mentirada correr solta pelas repartições, nos parques, nas casas, nos hospitais e nem sei mais aonde. E o pior, todo mundo mente com a consciência limpa, de cara lavada, da forma mais desavergonhada possível. “Não se zangue, hoje é dia primeiro de Abril!” Ou seja, o Dia 1 de Abril me autorizou a faltar com a verdade descaradamente!
Eu poderia estender este manifesto em defesa dos dias estigmatizados por mais algumas linhas, mas não vou fazer isso. Um bom protesto é sempre sucinto. Por isso vou parando por aqui, mas não sem antes fazer um ultimo apelo: esqueçam essa coisa de dias ruins. Dias são apenas dias, nem maus nem bons, são só 24 horas que se passam enquanto o planeta roda em torno de si mesmo. As atitudes das pessoas é que podem ser boas ou más. Mas pra muita gente admitir isso seria o mesmo que dizer “a culpa é minha, e não dos dias”. E sabe quando isso vai acontecer? No dia de São Nunca.
” Falar de mim é fácil. Difícil é ser eu.”
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