Meditar não é aquilo que você pensa

Muitas vezes ouvimos a expressão: “vou meditar sobre esse assunto”, leia-se “pensar  sobre esse assunto”. Contudo, isto não é correto.

A meditação surgiu dentro do acervo de técnicas do Yôga, contudo muitas outras filosofias abordam esssa questão.

Meditação em sânscrito, língua antiga do Yôga mais autêntico, designa-se por dhyána, o que significa parar de pensar a fim de permitir a expansão da consciência.

Para obter o estado de meditação, deve treinar (sim, trata-se de um treino da mente que deve ser feito com afinco e dedicação) os estágios anteriores e ir galgando patamares até atingir essa expansão de consciência.

Os estágios são os seguinte:

  • Abstração dos sentidos
  • Concentração
  • Meditação

Para todos estes estágios seguem alguns exercícios que poderá fazer para se aprimorar.

Abstração dos sentidos: Procure um local tranquilo, pegue num relógio analógico (daqueles que fazem tic-tac) e coloque-o junto do seu ouvido. Feche os olhos e respire de forma profunda e nasal. Concentre-se no som do relógio. Coloque agora uma música num volume moderado. Continue apenas concentrado no som do relógio, procure não escutar a música. Gradualmente vá aumentando o volume da música e em simultâneo vá afastando o relógio do seu ouvido, porém procure manter a sua atenção apenas no som do tic-tac do relógio. O objetivo é que de forma consciente, consiga escolher aquilo que os seus sentidos captam. Repita todos os dias até obter resultados.

Concentração: Depois de obter resultados satisfatórios com a técnica anterior. Passamos à obtenção do aumento da concentração. Sente-se numa posição confortável, preferencialmente com a coluna bem ereta. Feche os olhos e faça algumas respirações profundas, obtendo desde já um maior aquietamento interior.

Escolha um objeto, por exemplo uma vela, uma bola, uma fotografia, qualquer coisa que não seja muito complexa. Coloque esse objeto na sua frente. Fixe o olhar nesse objeto e procure não pensar em nada, apenas observe atentamente esse objeto. Não racionalize nada, apenas contemple o que está a observar. Depois feche os olhos e procure continuar a visualizar mentalmente esse mesmo objeto. Se dispersar, abra os olhos e veja do novo o objeto escolhido, depois feche os olhos de novo e repita. Faça várias vezes, até não precisar mais ter o objeto na sua frente, e simplesmente conseguir visualizá-lo mentalmente.

Meditação: Como referi anteriormente, meditar é parar de pensar, é cessar as ondas mentais. Depois de dominar as técnicas anteriores, comece a testar a sua capacidade de meditar. Acomode o seu corpo numa posição sentada, com as costas eretas e olhos fechados (depois de dominada a técnica, esta pode ser feita em qualquer posição, inclusive de olhos abertos, mas para já, para facilitar, adotamos esta posição que por si só já leva a um maior aquietamento). Comece por fazer algumas respirações cada vez mais profundas, e gradualmente aquiete os seus pensamentos, comece por “desligar” os sentidos, não ouça nada, concentre-se apenas na sua respiração. De forma consistente vá eliminando um a um os pensamentos que vão surgindo. Muitas vezes a mente arranjaartifícios para não parar de pensar. Então, nas primeiras vezes, é muito comum se lhe passarem ideias miraboantes pela cabeça (o que vou almoçar, o que vesti ontem, o que tenho para fazer depois, etc). Não disperse, não desespere, foque-se no seu objetivo. Esta técnica exige treino e força de vontade, mas com disciplina alcançará bons resultados. Vai notar que gradualmente a sua consciência se aquieta cada vez mais rápido e se expande gradualmente.

Author: Adelia Loureiro

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