Disputou-se, ontem, no Campo de Jogos dos Arrifes a Final da Taça Manuel Inácio de Melo perante um engraçado número de público afecto a ambas as equipas.
A partida iniciou-se debaixo de denso nevoeiro, que foi levantando com o decorrer da partida.
Ao mesmo que se dissipava o nevoeiro, foram também desaparecendo as dúvidas de que o União entrou determinado a ganhar o troféu.
O início de jogo foi equilibrado, se bem que com um ligeiro ascendente por parte da equipa de amarelo.
O União respondia às tentativas de ataque do São Roque em contra – golpes em velocidade solicitando o esforço de Telmo Correia na frente e povoando o seu meio campo ante antagonistas fortes física e tecnicamente.
Foi desta maneira que apesar do São Roque desenvolver um maior número de jogadas de ataque, mormente pelo lado direito, que o União aos 12 m desenvolvendo uma incursão pelo lado direito rematou para defesa de Rúben para canto, dando aqui a primeira nota de real perigo de todo o jogo.
O labor dos unionistas haveria de ser compensado aos 20’ quando Xé cruzou da direita direitinho para a cabeça de Telmo Correia que no sítio certo emendou para a baliza colocando a redondinha no fundo das redes.
A partir daí o São Roque, espicaçado, passou a estar mais tempo no nosso meio-campo, procurando reverter a situação, reagindo, e já por volta dos 25´já tinha criado duas situações de golo que haveriam de ser o prenúncio para o empate.
Empate que acabaria por acontecer aos 30’. Na sequência de um canto Rodrigo socou a bola, que no entanto sobrou para um contrário que à boca da baliza penteou para o fundo das nossas redes.
E, se o golo teve o condão de moralizar as hostes da turma a nascente de Ponta Delgada, por outro lado causou alguma desorientação nos nossos rapazes que perderam algum sentido posicional e dificultaram a si próprios as transições defesa-ataque.
Assim, aproveitando-se de um destes momentos, numa rápida reposição de lançamento da linha lateral, o São Roque beneficiando do adiantamento da linha defensiva do União aproveitou um espaço aberto e ganhou vantagem, fruto de um remate, seco, disparado à entrada da área, colocado rasteiro e sem hipóteses para o guardião Rodrigo. Estávamos no minuto 35’.
A desorientação de que falávamos não afectou porém só a nossa equipa mas também a equipa de arbitragem que com uma sucessiva série de decisões mal tomadas, acabou por inclinar o jogo no sentido da nossa baliza. Fica-nos na retina, um claríssimo fora de jogo, não assinalado pela auxiliar que por pouco não ia dando golo, o que certamente abalaria a verdade desportiva deste encontro.
De regresso das cabines, o União entrou com duas modificações: entraram Fred e Xico, saindo João Medeiros e Hugo (pagando ambos o esforço despendido no último jogo da Taça de São Miguel). Aragão passou para a posição seis, ocupando Xico a vaga de central e Fred tentou dar um cariz mais ofensivo ao nosso jogo.
Porém, sem as duas unidades substituídas o São Roque aproveitou-se da menor capacidade física do nosso meio-campo e acabou por exercer superioridade durante quase toda a segunda parte, penetrando por vezes com facilidade na nossa desamparada defesa, valendo em muitas circunstâncias os dois “Rodrigos”: o guarda-redes e o nosso líbero.
Foi preciso esperar pelos 30’ para que o União construísse uma jogada com consequências de ataque.
Já nessa altura, já estava em campo Gil, que substituiu Casaca.
Foi um período final em que o União procurou mais com o coração chegar à baliza contrária e ao mesmo tempo o São Roque procurava guardar a vantagem recuando as suas linhas mas sem nunca deixar de espreitar o contra-ataque
Já no dealbar do jogo Ruben, na sequência de um canto acaba por negar o empate ao União.
Soado o apito final foi entregue a Taça aos vencedores.
Uma nota para o pouco desportivismo que assistimos na cerimónia de entrega dos troféus, por parte do público, o que só fica mal a toda a gente.
Como mandam os ditames desportivos: “Glória aos Vencedores, Honra aos vencidos”, são esses os princípios que incutimos aos nossos atletas e que pretendemos que prossigam quer no seu percurso desportivo, quer na sua vida pessoal e profissional.
Louvamos o seu esforço e dedicação, empenho e luta.
Inauguraram o marcador, e mantiveram sempre o resultado em expectativa até ao final do jogo.
E isso perante o vencedor incontestado do Campeonato, equipa constituída por elementos muito fortes, como já dissemos atrás, quer física quer tecnicamente e com uma rotina de jogo apreciável, sendo a quase totalidade das suas unidades Juvenis de 2ª época.
Como não pode deixar de ser os nossos parabéns aos vencedores.
Uma nota final, negativa, para o trio de arbitragem que se equivocou por diversas vezes na condução da partida.
Há que encarar esses jogos com o mesmo empenho com que se apitam partidas de escalões etários superiores.
Não basta o savoir faire, é preciso também exercê-lo.