Jovem morre após tomar sibutramina: Remédio é mais perigoso para 7 grupos de risco de pessoas

A obsessão pelo corpo perfeito e o uso de remédios para emagrecer fez uma vítima fatal. A jovem Carolina Martins, de 23 anos, moradora de Uberaba, em Minas Gerais, faleceu em decorrência dos efeitos colaterais da sibutramina. Ao que tudo indica, ela estava em um dos grupos de risco de pessoas que não deveriam usar a medicação.

Entenda o caso

Segundo a mãe de Carolina, Beatriz Martins, publicou em sua página no Facebook, a filha não estava satisfeita com o corpo “cheio de curvas” e se achava sempre acima do peso, motivo que a teria feito buscar o remédio. “Anos atrás ela usou medicamento para emagrecer, viu que não fez bem, veio até mim e se abriu. Ela não podia fazer uso desse tipo de remédio, pois tinha pressão alta, então desistiu. Fiquei tranquila e achei que ela nunca mais fosse fazer uso deste veneno. Infelizmente, não sei o porquê, ela voltou a tomar”, desabafou.

No relato, a mãe conta que não sabia que Carolina tinha voltado a usar o remédio, mas percebeu uma mudança de comportamento na filha. Ela estava mais agressiva e mau humorada, passou a ter alucinações e, como acredita a mãe, depressão também estava entre os efeitos desse medicamento na jovem.

“Tenho certeza que ela não queria partir. Era cheia de vida e planos futuros, estava muito feliz em Uberaba e falava isso para todos de coração aberto. Estava decorando seu quarto na casa da avó, que a acolheu com o carinho e zelo de sempre. Tenho certeza no meu coração que, se ela não estivesse sob efeito da sibutramina, nada disso estaria sendo vivido hoje. Ela não tomaria o excesso de comprimidos que tomou e nem teria perdido a vida num rompante de alucinação”, escreveu Beatriz.

Jovem morre após tomar sibutramina

Sibutramina faz mal?

O médico Fábio Cardoso, especialista em medicina preventiva, explica que a sibutramina foi criada nos Estados Unidos no fim da década de 90 e é uma aliada em alguns casos, mas, em outros, pode causar danos seríssimos e realmente levar à morte. “O remédio é necessário para tratar obesidade, mas que não pode ser utilizado para qualquer redução de peso, como costuma acontecer. A indicação é apenas para pessoas com índice de massa corporal (IMC) acima de 30 e sempre monitoradas por um profissional”, afirma.

Mas mesmo as pessoas que tomam o remédio com indicação médica estão sujeitas aos seus efeitos colaterais, como problemas psiquiátricos, aversão à comida, anorexia, alucinações, insônia, irritabilidade, agressividade, dor de cabeça, boca seca e náuseas.

Como ela conseguiu o remédio?

Para a mãe de Carolina, os efeitos colaterais foram fatais para a filha. “Ela fez uso abusivo um dia antes de sua morte e, como procurou socorro muito tarde, não foi possível fazer a lavagem. Tenho certeza que não houve prescrição médica, pois o histórico dela não permitiria o uso. A pergunta que fica é: como ela conseguiu este medicamento?”, questionou.

De acordo com o médico, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tem um controle específico e regras rígidas quanto à prescrição da sibutramina, que só deve ser indicada por médicos e com receita em três vias: uma que fica anexada ao protuário, uma que fica na farmácia e uma do paciente. Além disso, o uso deve acontecer por um período mínimo de dois meses e máximo de um ano. Mas, o que acontece, é que existe um “mercado negro” através do qual muita gente consegue ter acesso ao medicamento sem receita. E o risco pode ser grande especialmente em alguns casos.

Quem não pode tomar sibutramina: 7 grupos de risco

Pessoas com menos de 16 anos ou mais de 60. “Nas pessoas mais velhas, há o risco de problemas cardiovasculares e cerebrovasculares. E nas adolescentes, não há indicação de nenhum medicamento que atue no sistema nervoso central”, explica.

Pessoas com histórico de alcoolismo. “Essas pessoas já têm o fígado sobrecarregado, o que aumenta o risco de hepatite medicamentosa. Além disso, podem der alguma disfunção na coagulação, elevando as chances de um derrame”, diz.

Pessoas com obesidade que tenham outras causas, como hipotireoidismo ou gravidez. “Nesses casos é preciso tratar a causa. Um medicamento pode descompensar ainda mais a tireoide ou, no caso das grávidas, ter algum efeito sobre o feto”, afirma.

Pessoas que tomam antidepressivos. “Esses medicamentos, assim como a sibutramina, agem nos neurotransmissores do cérebro. É uma mistura perigosa”, diz.

Pessoas com antecedentes de distúrbios alimentares. “Quem já teve anorexia ou bulimia, por exemplo, precisa de tratamento com outras técnicas, que não envolvam medicação, especialmente as que reduzem o apetite”, explica.

Pessoas hipertensas ou com doenças cardiovasculares. “A sibutramina aumenta a pressão e a frequência cardíaca. É extremamente proibido para quem já tem esses problemas”, alerta.

Pessoas com glaucoma. “Qualquer remédio que aumente a pressão intraocular é contraindicado nesses casos”, finaliza.

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