Do voto obrigatório

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Relembrando uma conversa de mais de uma década, entre progressistas inspirados por ideais, discutindo o Brasil em várias perspectivas, chegara-se ao tema eleições – voto facultativo. Para surpresa minha, não foram poucos os que defenderam a manutenção obrigatoriedade, considerando, naquela conjuntura, a necessidade de continuidade ascensional de alguns partidos.

Vi-me em um dilema, este que me acompanha pela vida: princípios puros, viventes no etéreo mundo das ideias ou a complexidade da realidade. Em nossa jornada, buscamos comportamento e conduta os mais retilíneos possíveis, tentando acompanhar as grandes retas da Ética e da Moral que aprendemos.

No mundo real, em que não estamos sozinhos com nossas etéreas idealizações, somos forçados aos desencontros com pessoas que não têm a mínima preocupação ou responsabilidade com essas questões. Mas, também existem os encontros. Alguns não elidem as arestas, e outros, implicam em choques, não poucas vezes duros. Afinal, existem relatividades culturais que também envolvem a Ética e a Moral, tornando-as plurais.

O que nos aproxima, falo de quem encontramos, é a força da convicção, mesmo que em direções diferentes. Diante dos desencontros e das diversas formas de encontros, o que podemos fazer?

Flexibilidade e negociação. Sei quão complicado isso é. Então, algo muito importante para não se perder do caminho é sempre, insistentemente, retornar aos seus valores e pesar o que e quanto de BOM, verdadeiramente para a sua consciência, será alcançado com a concessão que se está por fazer.

Nesse ponto, após essa pequena digressão, digo que sempre fui favorável ao voto facultativo. Embora, reconheça que talvez tenha sido melhor não tê-lo até então. Deveras, penso que é o momento de mudarmos. Não através da representatividade. Acredito que seja um tema mui digno de uma decisão plebiscitária: obrigatoriedade ou facultatividade.

Preferiria que fosse facultativo de muito, mesmo que tivéssemos errado mais e estivéssemos aquém de onde estamos. Todavia, sendo opcional ou não, há algo que deve ser dito àqueles eleitores que votam em branco, anulam o voto, que chicanam dele, que votam a pedido, fazendo um favor, por um tijolo, que encontram uma maneira de não ir às urnas.

A omissão – considero todas as formas acima como múltiplas manifestações dela –, é a declinação da responsabilidade consigo e com os filhos menores, impossibilitados do acesso ao direito do voto. Implica, necessariamente, a potencialização do voto daqueles que não declinam. Significa que estes eleitores teremos muito mais poder de defendermos nossos interesses.

Conscientizem-se que se vocês estão se lixando para os seus interesses e dos de seus filhos que ainda não podem votar, acham que os que votamos com seriedade vamos zelar por vocês?

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Author: WBZF

Bacharel em Ciências Econômicas UCSal e Bacharel em História UFBa.

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