Set 23, 2010
A proposito de solidariedade, algumas considerações, ideias e até um projecto.
Não seria preciso muito esforço para participar, mobilizando e incentivando as instituições a sair do pesado letargo de inacção ou da presumida esgotante tarefa de ajuda social, que tanto apregoam nos meios de comunicação e que não passa, depois de feitas as contas, de efemeras acções avulsas pouco estruturadas e com resultados muito aquem do pretendido, não justificando o esforço e recursos envolvidos, não resolvendo minimamente o problema da fome envergonhada e estigmatizando as pessoas carenciadas, apresentando à sociedade um publico final, destinatario dessa ajuda, como ingrato e portadores de um problema de dificil solução; o que não é verdade. O que é certo e seguro é que estas pessoas, os destinatarios, não ajudam a fazer “manchetes”que permitam progressão na carreira politica e ainda “sujam” a imagem altruista e uma boa visibilidade social/eleitoral; o que não fica nada bonito na fotografia de “cargos publicos”, autarcas, autoridades, etc.etc.etc. E de um interminavel rol de figuras mediaticas mais ou menos populares, “lutadoras”da causa pro solidariedade e ajuda social neste Portugal de exageros viscerais de ocasião, quem quiser enfiar a carapuça que faça uma boa pega, pois esta, deve ser feita de caras na arena, para todos e não só, para o espelho ou para “inglês ver”; uma coisa é evidente nestos casos: vale mais o pouco, as vezes, do que o nada, sempre.
Qualquer sugestão e contributo para conseguir contrariar esta tendencia e alcançar o proposito pretendido neste desabafo, é certamente, muito bem recebido.
Obrigado. Agora ao que interessa.
Todos os dias, falamos dos desperdícios de uma Sociedade consumista.
Todos os dias ouvimos dizer que milhões de pessoas morrem a fome no Mundo.
Ninguém parece surpreendido, é natural pensar que já perdemos a sensibilidade perante tamanho acto de cobardia, sentimo-nos seguros na nossa tarefa de só nos é que somos importantes e merecedores de bens, aconchego e amor, é legitimo brindarmo-nos com algum mimo pelo nosso esforço no trabalho e pela tão ocupada agenda que, claro esta, nem tempo temos para pensar nos outros, na realidade que nos rodeia, a semana foi intensa de trabalho, e o fim-de-semana dedicamo-lo a família e aos palácios do consumismo moderno: os centros comerciais e grandes superfícies, onde curiosamente tudo este estudado para nos fazer sentir confortáveis e bem dispostos e assim dar satisfação, em troca de bom dinheiro, que não é chorado, às nossas necessidade mais básicas: alimentação, vestuário e lazer.
Tudo brilha luminosamente, temos boa musica no ar e o ambiente é de descontracção, há muita gente bonita e bem vestida, a gente parece bastante ocupada e feliz, há risos e conversas, muito dinheiro de plástico e todos levam grandes sacos coloridos, há segurança, não se vêem pedintes nem gente de cara triste nem olhares de fome, aqui não circula gente “feia”, nem mal vestida, tudo esta controlado e imaculadamente limpo, é o paradoxo institucional aqui não há desempregados, nem pobres, só gente feliz e satisfeita com carrinhos de compra cheios de coisas finas, mercearias “gourmet”e saborosas novidades de requintado paladar, vestuário de marca exclusiva, e no cinema o ultimo filme sobre um qualquer fim do mundo anunciado para muito breve, que estamos desejosos por ver e que nos foi recomendado como excelente, por amigos cinéfilos de muita confiança; mas primeiro, o lanche, que não só de compras vive o homem.
Este cenário é habitual e comum entre as classes com mais meios económicos deste país, sem remorsos pela desigualdade salarial que brada ao Céu, sem falsos pudores pela desigualdade social, porque não são culpados por nascer no acomodo de um meio socialmente elitista e abonado. Distribuem algumas migalhas de seu bem recheado pecúlio sempre que politicamente correcto e para a posteridade nas revistas especializadas do sector. Acostuma ser o país de pró. Não o país real; aqui o cenário é outro.
Um cenário bem pior. Calculam especialistas que em Portugal diariamente passam fome mais de um milhão de pessoas, as carências alimentares atingem ainda mais dois milhões, (dados do Banco Alimentar, Cáritas e Cruz Vermelha), e com tendência para se agravar nos próximos anos.
É sabido que as instituições que desenvolvem alguma actividade social, não lidam com frescos e perecíveis, dado a sua orientação, logística e infra-estrutura organizativa. Estas matérias requerem um tratamento específico, bem seja pela sua conservação em câmaras frigoríficas ou pela iminência de transformação em “comida” num curto espaço temporal, evitando assim o seu deterioro.
É incalculável o número de refeições elaboradas e prontas para consumo, que no fim de cada jornada terminam no lixo de restaurantes e toda índole de cantinas porque simplesmente esse dia não foram vendidas ou consumidas. Ponto 1.
È difícil determinar a quantidade de produtos horto-fructicolas que diariamente deixam o circuito comercial para acabar no lixo dos mercados centrais e outros entrepostos apenas por perda de tesura e brilho externo, falta de tempo para re selecção ou falta de espaço na câmara que devera receber nova remessa. Ponto 2.
Contabilizar as centenas de litros de leite, lácteos elaborados, iogurtes, merendas, queijos e manteiga, etc. que diariamente são retiradas das prateleiras devido a proximidade do fim do período de caducidade, acabando por regressar as fabricas, para destruição ou para transformação em rações para animais, estando no conjunto, mesmo no caso de exceder a data de segurança, óptimos para consumo humano, que apenas obedece a uma questão de legislação para evitar abusos, fraudes e com certeza a segurança em matéria alimentar. Ponto 3.
Temos fabricas de processamento de cereais e leguminosas que elaboram bolachas, massas, arroz e outros produtos que enviam para fabrico de rações, excedentes de produção e devoluções do circuito comercial, sem expressão significativa nos balancetes e que pelo menos num 85% de casos os artigos estão aptos para consumo humano, e que demonstra insensibilidade perante situações de extrema carência de alimentos e da frieza dos números em pró dos lucros e da especulação. Ponto 4.
Devemos ser conscientes de que existem fábricas de alimentos para animais domésticos – esses nossos queridos amigos; estas fábricas, recebem para processamento de rações húmidas e secas e alimentos especiais para as explorações de gado, toneladas de conservas em todo tipo de envase, de carne, peixe, legumes, compotas, molhos, polpas, precozinhados e prontos, alem de um extenso arsenal de preparados, que por razões pouco transparentes, na maior medida serão de mero lucro de grandes fabricantes, que reformulam a sua apresentação e conteúdo numa luta sem quartel, pela quota de mercado de diferentes produtos, de uma mesma marca. Ate acabar aqui, muitos destes artigos estão óptimos e dentro dos prazos para consumo, mas ainda assim, servem outros fins comerciais. Como curiosidade quero destacar que existe um excesso de produção nestas unidades o que faz com que parte do produto não vendido acabe no lixo por não ser viável a sua reciclagem comercial. Ponto 5.
Muitas toneladas de congelados; peixe e marisco terminam como farinha, alimento por excelência na exploração de aquicultura, estes produtos não são retirados do circuito comercial pelas mesmas razões do ponto anterior; aqui basicamente temos o prazo de validade e problemas de embalagem que dão má imagem, de resto practicamente não há fabrico, nem aditivos por isso o alimento requer atenção especial, mesmo assim garanto que 95% é apropriado para consumo humano. De loucos. Ponto 6.
Mais obsceno e grave é porventura o caso do peixe fresco que, para manter um preço elevado, em alguns casos, depois da captura não chega a terra, atira-se ao mar; em outros casos, já em terra, uma parte considerável da pesca fica a espera de ser enviada para farinha, para isco ou para o lixo. Em qualquer caso é um duplo atentado: por um lado contra a sustentabilidade dos recursos marinhos; da pesca abusiva com ou sem quotas de capturas, a fiscalização é deficiente tanto para as artes utilizadas como nos calibres pescados, o controlo na chegada é pratica apenas “para inglês ver”, especialmente neste sector de actividade: pesca de costa ou proximidade; do outro lado temos os nossos mais de tres milhões de carenciados que não podem comer peixe na quantidade recomendada para uma alimentação equilibrada e muito menos hoje aos preços praticados, depois ouço falar na generosidade do homem, tretas. Ponto 7.
Para que vocês se situem, possam interiorizar e visualizar o cerne da questão vamos analisar um exemplo e reflectir nas considerações seguintes: Graças a legislação sobre salubridade, segurança alimentar e saúde pública, e, graças as normas reguladoras e de controlo específico em matéria alimentar temos conseguido indubitáveis conquistas e sucesso em áreas sensíveis, no entanto ainda insuficientes: a luta contra a fraude nas datas limite de consumo; que como vocês devem saber, não implica que o alimento esteja estragado nesse dia, mas para o comerciante este artigo deve deixar o circuito de venda e sair da prateleira ou congelador, 48 horas antes da data limite impressa na embalagem ou na etiqueta de origem. Qualquer outro rotulado esta proibido. Ponto 8.
Fabricantes e comerciantes sem escrúpulos já reintroduziram no mercado os mesmos produtos, apenas com alteração de datas, sem prejuízo para a saúde pública, felizmente, detectados e em contados casos, segundo as autoridades, fica apenas a fraude fiscal. Agora um exemplo: imaginem uma pescada, (Merlucius) ultra congelada, de alta qualidade, embalada individualmente em alto mar e que dependendo da origem (Namíbia, Chile, Nova Zelândia), o seu preço ao publico varia entre os € 7,00 e € 12,00 por quilograma, tem um prazo máximo de consumo desde a data de ultra congelação e caducidade de 24 meses, (pela lei); mas se manteve a cadeia de frio estável, pode ainda usufruir da confiança do consumidor por 6 ou 12 meses adicionais, (pelo produtor e não autorizado pela lei); acontece que este artigo deixa o mercado muito antes das 48 horas finais, porque as pessoas, devido ao grau de informação existente, (deficiente), já não o compram. Por norma vai para o fabrico de farinha de peixe, e, é pago entre os 6 e 15 cêntimos de euro o kg. Um preço ridículo. Ponto 9.
Acaba por ser incongruente, que produtos em perfeito estado e aptos para consumo como o exemplificado, termine um ciclo comercial sem ter, pelo menos a possibilidade de prestar um contributo social, é injusto, é cruel e esta é sem duvida a condição humana, enquanto milhões de pessoas passam fome neste país, não conto os que morrem a fome em todo o mundo, se pensarmos bem no assunto, acho, que deveria haver muitos cúmplices de Genocídio. Ponto 10.
Agora espreitemos nos matadouros de grandes fabricas de processamento de produtos e subprodutos derivados de suínos e bovinos, que pelo processo intrínseco de desmanche e apresentação anatómica das peças no mercado (embalamento em vácuo), requerem cortes limpos e regulares, proporcionando sobras de escasso valor ao tempo que seu aproveitamento em fabrica fica dispendioso devido a mão-de-obra, estes sobrantes próprios para consumo e rejeitados no processo de produção, acabam nas fabricas de rações, quando poderiam terminar em comida se alguma estrutura de logística e transformação fosse implementada e assim “render” pontos na luta contra a fome, sem beliscar os lucros do accionista. Ponto 11.
O mesmo seria aplicável a produção nos aviários que em muitos casos e pelo próprio processo de abate, eviscerado e acondicionamento para venda uma parte, não sai ao mercado por uma questão de aspecto (pisados e desgarros), residual é certo, mas sobre milhares de aves diariamente, perfaz com certeza, números nada desdenháveis. Aqui temos mais um manancial de alimento para acondicionar e converter em comida a custos muitíssimos reduzidos, que contribuiria mais uma vez para dar uma ajuda nutricional para os sectores sociais mais desfavorecidos atacados pela fome. Ponto 12.
É evidente que tudo isto precisa de, coordenação da vontade dos envolvidos e uma logística bem estruturada: identificação do produto, fiabilidade empresarial e rigor qualitativo e bacteriológico da doação (aqui não serve aquilo de “a cavalo oferecido, ninguém repara nos dentes”), inventario e selecção, transporte frigorificado, refrigeração de conservação, transformação em refeição, venda ao publico e ou distribuição pelas pessoas necessitadas, e dar ao mesmo tempo pequenas doses de humildade, pois como diz o refrão popular “ bolsa de pobre, boca de rico”, o povo português é pouco grato, e talvez seja pela falta de pratica, estou convencido.
Não venho de forma alguma defender qualquer tipo de caridade ou ajuda altruísta, nem labor social desinteressada.
Não tenho intenções de substituir o estado e instituições nas suas obrigações e obras de acção social.
Não pretendo aqui, dizer tudo aquilo que por bem, deveria ser dito a Sociedade, longe disso, para isso está, o Parlamento, onde figuras de pró, só dizem aquilo que mais lhe convêm dizer em cada momento, à sociedade.
Também não pretendo ser bandeira da necessidade social, nem escudo contra a carência e a fome.
Hoje venho defender uma ideia que me é muito querida, e apresentar luta recorrendo a ultima réstia de humanidade existente na sociedade, ao coberto das leis de livre mercado, do estado de direito, do fomento do empreendorismo e solicitar todos os apoios financeiros estatais e institucionais que se verifiquem pertinentes e assistam este projecto.
Hoje venho defender um projecto que não pode ser rejeitado sem a merecida ponderação ou deixado na gaveta por inapetência politica ou falta de verbas.
Hoje venho defender o empreendorismo e a simplicidade do conceito.
Também pretendo defender a criação de postos de trabalho e reintegrar na sociedade pessoas desempregadas que precisam sentir-se úteis e recuperar auto estima.
Venho muito oportunamente, aproveitar desgraçadamente, um nicho de mercado cada vez maior e em franco crescimento; a pobreza e a fome, e demonstrar ao mesmo tempo que solidariedade e capitalismo não rimam, mas também não precisam de andar de costas voltadas, afinal uma não viveria sem o outro ou melhor uma deveria ser obrigatoriamente consequencia do outro.
Este projecto tem valores, sentido de oportunidade, prático e auto sustentável, e mesmo sendo com fins lucrativos, desenvolve uma importante e abrangente obra de solidariedade e acção social.
A) Confeccionar pratos tradicionais da dieta mediterrânea portuguesa, nutritivos e tipicamente saudáveis dando maior realce as nossas sopas, caldos e açordas, que caíram já num lamentável estado de perda colectiva, favorecendo a sua recuperação para o nosso diversificado e extenso receituário.
B) Desenvolver o sector CAE de “take away”, na sua vertente original e inovadora: as pessoas vão procurar as suas refeições a um estabelecimento normal podendo escolher entre as opções apresentadas aquela que melhor se adapte as suas necessidades, sem estigmas e sem descriminação, previa inscrição, na câmara, junta de freguesia, segurança social, IEFP, etc. que emite a respectiva acreditação e emite as senhas.
C) Desenvolver o sector CAE de “ take away”, convencional, para optimização dos custos estruturais, garantindo sustentabilidade, com profissionalismo, serviço de qualidade e com preços mais atractivos, asseguramos postos de trabalho.
D) Criação de postos de trabalho, tantos quantos se verifiquem necessários para o bom desenvolvimento deste projecto e implementação de outras actividades derivadas do mesmo, de cariz assistencial, social ou de formação.
E) Criar uma estrutura básica de formação profissional em cozinha e assistência social, canalizando esforços para ajudar na reinserção social de pessoas marginadas que quando motivadas e respeitadas, verificamos serem excelentes colaboradores.
F) Alimentar pessoas sem abrigo, ponto crucial desta iniciativa. Contribuir com instituições de solidariedade social, produzindo refeições para: os idosos, os doentes, acamados ou não, combater a estigmatização da pobreza envergonhada, onde grassa a fome, os desempregados e um sem fim de famílias carenciadas onde a fome ou desnutrição são o pão de cada dia, todos estes segmentos sociais dependem de instituições que muitas vezes não tem produção de refeições quentes, factor base na prevenção de muitas doenças.
G) Criar uma plataforma de fabrico, moderna e funcional, com o mínimo de investimento possível, sem luxos mas competentemente equipada, pensada para elaborar refeições reciclando e aproveitando todos os excedentes do mercado, ajustando os custos em matéria prima a valores pouco expressivos, dando no entanto empenhado rigor no controlo sanitário e bacteriológico antes da utilização dos géneros e transformação em refeições. Quero acreditar que contaríamos com o apoio incondicional das autoridades competentes nesta matéria para conseguir concretizar este desafio.
H) Acredito que uma vez alcançado o ponto de equilíbrio financeiro no funcionamento desta plataforma, sabendo que os encargos de pessoal serão sempre superior que a matéria-prima, e o retorno financeiro condicionado pelo segmento “vendas”, ate as pessoas encaixarem o conceito de que:
“ ao comprar aqui a sua refeição familiar, para comer em casa, alem do preço mais económico, parte do lucro reverte para que famílias carenciadas, possam também comer uma refeição digna, sem o seu apoio e sem a sua solidariedade isto não é possível, não se trata de dar esmola ou fazer caridade, é simplesmente uma questão de justiça social”.
Uma vez este conceito assumido, o processo de auto sustentabilidade inicia o seu ciclo num período relativamente rápido, evitando assim uma eventual dependência permanente do estado. Penso que graças a iniciativa de privados e das pessoas, esta corrente de solidariedade pode funcionar de forma fluida e com benefícios consideráveis em todos os níveis, especialmente para as empresas envolvidas. Acredito que há marcas que gostariam de associar o seu nome a esta iniciativa.
I) Este projecto pode iniciar a sua actividade com um investimento inicial global relativamente modesto que andaria pelos €65000, estabelecendo uma unidade experimental em um pequeno restaurante, cantina ou refeitorio, modificado para este efeito, com serviço ao publico, no período de almoço, entre as 11 horas e as 15 horas e no período de jantar entre as 18 horas e as 22 horas, sete dias por semana e durante todo o ano. Oferecendo uma ementa ampla e variada, de qualidade nutricional elevada apostando nos produtos tradicionais da horta portuguesa, promovendo as sopas como base fundamental de uma boa alimentação, as saladas simples ou elaboradas, os peixes base da nossa gastronomia, no “papelote”onde mantêm todas as qualidades organolepticas, no forno tradicional, ou ao vapor, rejeitando outras formas de cozedura menos saudáveis. Em carnes e aves optar por receitas tradicionais da terras e das diferentes culturas portuguesas, evitando basicamente fritos e grelhados, una variante aceitável: a chapa.
J) Poderíamos então definir que o nosso projecto tem vários trunfos ao seu favor: um: o da solidariedade; dois: a cozinha saudável; tres: formação; quatro: economia; cinco: criação de emprego; seis: auto sustentabilidade.
K) Na cidade do Porto, o pouco que eu posso conhecer, encontramos instalações inactivas ou desactivadas, ao abandono, sem rendimento ou beneficio para a Sociedade, mesmo sendo toda a colectividade quem custeou essas infra-estruturas, representando por certo ainda desactivadas uma carga para as entidades tutelares, e consequentemente para a Sociedade. Por exemplo, na faculdade de letras o SASE mantêm fechado um refeitório com belíssimas e modernas instalações, inactivo há mais de dois anos. Porque? Ninguém sabe. É assim e não é caso único. Outro exemplo, seriam as instalações do exército onde se efectuava a inspecção militar, com equipamento e condições, desactivado há vários anos, ao abandono. Porque? Ninguém sabe. É assim e não é caso único. Outro exemplo é o de um clube emblemático nesta cidade, que mantêm um espaço destinado a restaurante sem explorar há anos. Porque? Ninguém sabe. Mas a Câmara, também tem. A Igreja também tem. Muitas Instituições têm. Porque? Ninguém sabe. Mas todas elas seriam apropriadas para receber um projecto como este sem prejuízos para a tutela ou com custos razoáveis.
Se alguém, depois de ler isto, tem ou conhece pessoas com influência, poder, capacidade de desbloquear ou desburocratizar; ou apenas pretende ajudar dando um empurrãozinho para este projecto pegar e percorrer caminho, e realmente combater a fome e ajudar os mais carenciados, sem aparatos mediaticos, (ou até, com grande aparato), sejam Bem-vindos e obrigado pela participação; este apelo não tem partido, nem ideologia colorida, nem lider carismático/fracturante, nem Deus ou representante legal, nem presidente de seja la que instituição for, apenas pretende ser um apelo de cidadania a quem possa aportar algo do muito que tem ou que não utiliza; este apelo parte de um cidadão comum e anonimo, que estando desfavorecido e necessitado é marcado pela sociedade como milhares de outros homens, mulheres e crianças neste País; ou, este apelo vem de alguem desempregado de longa duração ja sem subsidio; ou, este apelo vem de alguem que recebe como unica fonte de sustento o rendimento social; ou, este apelo vem do idoso que “goza” uma misera pensão de reforma; este apelo pode partir de qualquer um dos três milhões de Portugueses pobres, carenciados e famintos, estigmatizados pela Sociedade e os seus representantes institucionalizados, este apelo resulta da iniciativa de uma pessoa, que tem esta ideia, como forma de criar o seu proprio emprego e outros muitos postos de trabalho, sentir-se útil e dar a mesma oportunidade a muitos nas mesmas circunstâncias, sem esmolas, sem caridade, pela alegria do trabalho e do serviço feito para a comunidade com solidariedade e com a dignidade e direitos que entre outros, consagra a Constituição:
Liberdade de opção; Igualdade de oportunidades; Justiça social, etc.
Por ultimo destacar que a labor realizada por varias organizações, contra a fome, pobreza e a exclusão social, (muitas, para aqui serem referenciadas, sem esquecer alguma), é uma tarefa digna e nobre; apenas insuficiente. Para minimizar esta injustiça, deveremos ser mais e fazer melhor.
Ao fim e ao cabo o problema não é a pobreza; mas sim um mau reparto dos recursos: uns poucos têm tudo, muitos não têm nada. Participa, o esforço pouco custa, mas vale muito.
Por isso, parafraseando aquele famoso “slogan” do Banco Alimentar:
Contra a fome, alimente esta ideia. Obrigado
Para mais informação; sugestões; ideias; etc. contacte: minimosexigiveis@gmail.com
“Saludos” para todos, MMM.



Esta é uma notável diligência contra variados equívocos que chegam a ser por vezes, quase delinquentes por parte de inúmeros membros da sociedade portuguesa. No entanto, todo o mundo é absorvido por esta colossal adversidade, dita por muitos, inelutável e incompreendida. O dinheiro é o principal motivo de toda a miséria existencial e creio que enquanto ele perdurar imperioso, nada impedirá a ininterrupta expansão da pobreza. O mundo governa um czar despiedoso, designado por muitos de FOME. A liberdade de um ser, expira quando a da temerosa fome começa. A personalidade individual de um pobre faminto não lhe advém da educação, mas da fome. Não é este o mundo que escolhemos, não é este o princípio que defendo, mas é o único lugar do qual ingenuamente me interrogo, “Porquê?”. São muitas as respostas a diversas questões das quais não possuo total conhecimento, porém uma das mais frequentes réplicas em que me deparo, provém do desmesurado ociosismo populacional. Por de trás de um ocioso, à sempre alguém preste a morrer de fome. E é precisamente este o meio do qual acredito ser um dos únicos para o alcance de uma estabilidade económica e reconstruturação das igualdades sociais. Somente a aniquilação restrita do poder de uns, solucionará a restauração económica, financeira de outros. Mas como? Não me compete a mim solucionar e resolver esse dever!
De uma coisa estou certo, não lutes nunca contra a fome, mas sê a favor de que todos tenham o que comer. Obrigado pelo grandíloquo e valoroso texto. Seja a favor de tudo e contra nada!