Havíamos dedicado aquele dia aos banhos de sol, e a toda uma tertúlia de caprichos de verão. Somos três raparigas na casa dos trinta, e quem nos conhece, percebe que sentimos um certo respeito pelas veredas da “velhice”. É assim… há quem encare esta ginástica da idade de uma forma tranquila, e outras com uma ávida vontade pela gargalhada, que se deseja que continue sempre menos ajuizada. Estávamos as três trintonas na esplanada da “turminha”, quando alguém levantando o sobrolho diz, em espanto: “Vão?! Vão para o cavalinho pelas rochas?!”
Seguimos em altivez, mas cheias de paz… A maré estava a encher, mas daria segundo Patrícia “perfeitamente para regressar… na boa!” dizia determinada. Inocentes, eu e Marta seguíamos atentas, mas descontraídas a amiga mais velha. Para lá conversámos, em como estávamos a morrer de calor, que assim, que chegássemos ao Cavalinho, a praia seria só nossa, e que daríamos um mergulho daqueles… podia ser de chapa que não havia ninguém para se rir…
Trepávamos as rochas como verdadeiras atletas, e como quem não quer a coisa olhávamos de esguelha para o mar que parecia ter passado uma noite de lua aflita… Enchia, enchia…”hum…mas, teríamos tempo, concerteza para regressar”.
De vez em quando, lembrava-me daqueles livros que lia em garota “Uma aventura na gruta, ou na praia ou na cidade…” Enfim, sempre a palavra aventura, após ter conseguido, apesar do “cu de chumbo”, desenvencilhar-me de mais uma rocha e sentir o meu corpo seguro em terra plana.
Assim, que chegámos à “prainha desertinha”, toca de atirar roupa para areia, bem como carteirinha e bronzeadores, e correndo em desvario, atirámo-nos as três para dentro de água, tipo bombas! Estava tão ansiosa, que consegui cravar os meus joelhos nas rochas submersas pelo mar. Rapidamente, esqueci as dores que aquilo me provocou, e desfrutei com as minhas queridas amigas os últimos minutos de prazer. Ficámos sentadas à beira-mar em silêncio, e a Patrícia malvada, a prever já a situação toda, vira-se para mim e para a Marta: “Bem, meninas é melhor irmos andando, senão já não dá…”
“Já não dá?!”Pensei…Já não dava desde o princípio, mas enfim! O mar tinha crescido a grande velocidade, e para quem conhece a zona da Ericeira, já pode ter pintado o cenário que a nós se avizinhava!
Sentimo-nos na “Boca do Inferno”, para falar com sinceridade! Mas, se a nossa hora de partida fosse aquela, fica aqui gravado que seria a rir… e à gargalhada!
Sem fôlego, e corpos habituados a uma “não ginástica”, não trepámos as rochas… arrastámo-nos nelas! Coladinhas àquelas, como se fossem as nossas mãezinhas, enfrentámos um fim-de-tarde algo complicado. Às tantas, encharcadas em cima de um rochedo pai, fomos obrigadas a atirar roupinha, carteirinha e bronzeadorzinhos ao ar! E, tentar novamente a sorte, em tentar reavê-los! E, conseguimos, entre umas quantas esfoladelas! Faltava apenas mais uma ou duas rochas… E, entre semi-escaladas e joelhadas lá conseguimos sobreviver no final de “Uma aventura no Cavalinho”, e chegar, em grande estilo, ao nosso ponto de partida.
Rematando para o final, a Patrícia em estado de amnésia diz-nos: “Para se semana podíamos lá voltar, com os miúdos!”
Concerteza, o grau de dificuldade não poderia ser sempre o mesmo, ou seríamos todos uns campeões! Que a sorte nos acompanhe, e a vontade fique.


É muito bom sermos atingidos com textos assim.
À medida que se lê cada palavra, conseguimos imaginar claramente esta maravilhosa aventura… Continua Macgs a proporcionar-nos com estas leituras. Bj